Estamos nos tornando um país de descerebrados e dementes?

Out 06, 2017

Por Bepe Damasco                                                                                                             

 

A julgar pelas manifestações de intolerância e ódio – de caráter político, ideológico, religioso ou social - que se alastram como rastilho de pólvora, a resposta é sim.

Valores totalitários e pré-iluministas  são uma ameaça real à sociedade? 

A volta da censura a obras de arte, partindo de um número cada vez maior de analfabetos formalmente letrados e de esferas de governo, indicam que sim.

O estado de exceção já uma realidade no Brasil pós-golpe?

 O cerceamento do direito de defesa, as prisões arbitrárias - preventivas e provisórias- por uma eternidade para forçar delações, as violações do devido processo legal e da Constituição, além das condenações sem provas, mostram que sim.

O “brasileiro cordial”,  do grande Sérgio Buarque de Holanda, na antológica obra“Raízes do Brasil”, de 1940, se tornou ,77 anos depois, um ser racista, homofóbico,sexista, xenófobo e violento ? 

Os números estarrecedores falam por si. O Brasil é um dos líderes mundiais do ranking de crimes contra a mulher, sejam eles estupros, abusos sexuais, assassinatos ou agressões físicas e psicológicas. O racismo e o ódio aos pobres são outras duas feridas purulentas abertas. 60 mil pessoas são assassinadas todos os anos, já somos a quarta maior população carcerária do planeta e a tese de armar a população não para de ganhar adeptos. Por todas essas razões, com toda a certeza, a resposta é sim.

Essa pequena autoentrevista ganhou o teclado do computador, confesso, em um momento de pico de angústia diante da destruição da nação brasileira.  Mas logo a gente sacode a poeira e segue em frente, afinal, a mágica e única experiência de viver não pode e não deve ser contaminada pelos vermes do obscurantismo. 

A juventude da minha geração ia para a rua lutar por liberdade e justiça social. Hoje, as pessoas querem sangue e enforcamento em praça pública, se deliciando com as prisões alheias. Não importa a versão do acusado, seu direito à defesa e a um julgamento justo. Não importa a presunção de inocência garantida pela Constituição.

Essa sede de sangue enche os botequins e  as lojas  de eletrodomésticos sempre que as emissoras de televisão mostram as imagens da prisão pirotécnica  de mais um preso da Lava Jato. É triste ver que o efeito manada do linchamento conta inclusive com a adesão de militantes e dirigentes de uma certa esquerda de viés moralista. Isso até o dia em que eles ou seus familiares forem também engolidos pela boca do jacaré fascista.

Como diz o deputado Wadih Damous, nada é mais revolucionário nos dias atuais do que lutar pelo estado de direito democrático.

 

 

 

 

 

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