O uso do cachimbo faz mesmo a boca torta. Depois do vexame monumental do autocancelamento do debate, a Globo rapidamente providenciou uma justificativa para a não realização do seu tradicional evento pré-eleitoral: a causa de sua humilhação foi a interferência do Judiciário.
Pausa para a gargalhada!
Quer dizer, então, que a emissora monta uma armadilha para prejudicar Lula e favorecer Flávio Bolsonaro e não admite nenhum questionamento judicial?
Anos a fio de manipulação do debate político e das eleições fizeram com que a Globo acreditasse que está acima das regras eleitorais e da lei.
Vale uma retrospectiva dos fatos:
- Lula avisa que não se interessa em participar do debate. Que sentido tem falar três minutos e sofrer ataques de baixo nível por pelo menos 20 minutos? Lula não é só candidato, mas também e, sobretudo, presidente da República. Cabe a ele, portanto, zelar pela dignidade do cargo. Por que aceitar ser espancado por nanicos e por um miliciano?
- Em vez de escolher os convidados pelo critério da colocação nas pesquisas, como sempre aconteceu no Brasil, a régua da Globo, com a ausência confirmada de Lula e o comunicado de Flávio Bolsonaro de que iria participar, passa a ser a exigência de um mínimo de cinco deputados federais por parte do partido do candidato. Mesmo que isso conste de alguma lei ou regra eleitoral, nunca havia sido seguido por nenhuma emissora de rádio ou TV que organiza debates eleitorais.
- A Globo planeja então um modelo de debate sob medida para ajudar Flávio Bolsonaro. Com certeza, as investidas de Caiado, Cury e Zema (que conquistou na justiça o direito à participação) seriam adocicados. Mas Renan Santos, terceiro colocado em várias pesquisas, era um mal a ser extirpado, pois costuma confrontar o Rachadinha com virulência. Excluído Renan, já que seu partido, o Missão, conta com apenas um deputado federal, a armadilha estava preparada.
- Como grand finale, a Globo confirmou que o púlpito de Lula ficaria vazio e Flávio prometeu fazer cobranças ao púlpito como se Lula estivesse presente.
- Mas o circo da Vênus Platinada logo começaria a desmoronar. A ministra Estela Aranha do TSE proibiu, no fim da tarde de ontem, o púlpito vazio. Em seguida, depois de ver seu recurso pela participação ser negado pelo ministro bolsonarista Nunes Marques, que preside o TSE, e pela ministra Carmen Lúcia, que nunca proferiu um voto sequer contrário aos interesses da Globo, Renan Santos obteve decisão favorável do ministro Gilmar Mendes.
- Na sequência, com a covardia habitual, Flávio Bolsonaro desistiu do debate, já que carece de um mínimo de coragem e honradez, para enfrentar Renan Santos. De imediato, Flávio puxa a corrente da desculpa que seria imediatamente adotada pela Globo: “interferência indevida do Judiciário.” Isso dá bem a medida do jogo combinado entre eles.
- O que veio na sequência foi um dos espetáculos mais deprimentes da história das coberturas jornalísticas, com os profissionais da Globo travando uma espécie de competição de puxa-saquismo patronal, com direito até a uma nota corporativa da Abert condenando o Judiciário brasileiro.
- Esse choro patético diante das câmeras eximia a Globo de qualquer responsabilidade pelo naufrágio do debate. A culpa era da ministra Estela, do TSE, do STF, de Gilmar Mendes e de Lula. Seria cômico, se não fosse trágico.
- Enquanto isso, Lula se vingava docemente da edição fraudulenta do debate de 1989 e deitava e rolava no Flow, atraindo 1,5 milhão de espectadores. Uma noite histórica em que o presidente metalúrgico goleou a poderosa Globo por 7 x 1.
Respostas de 2
Belíssimo texto!
Fora Glogolpista.
Perfeita postagem !
Lula GIGANTE !
Bora Lula !