‘Reviravolta impressionante’, diz imprensa internacional

Foto: Ricardo Stuckert

A imprensa internacional repercutiu neste domingo (25/10) a oficialização da reeleição do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no pleito. O jornal espanhol El País declarou que a vitória eleitoral do mandatário é “sem precedentes na história do Brasil”, destacando que desde a reforma constitucional de 1988, nenhum candidato que perdeu no primeiro turno havia conseguido reverter o resultado e vencer no segundo.

O periódico enfatizou que o presidente reeleito conseguiu mobilizar os eleitores que se abstiveram, passando de 21,08% na primeira rodada para 19,21% na segunda, apesar da tendência de a taxa aumentar.

“Uma reviravolta impressionante”, diz, por sua vez, o jornal britânico The Guardian, que recordou que o líder petista ficou atrás de Flávio no primeiro turno, em 4 de outubro, o que “colocou em dúvida seu futuro político e mergulhou os progressistas brasileiros em três semanas de desespero”.

“A vitória representa um capítulo final sensacional em uma carreira política lendária que começou quando ele se tornou líder sindical nos subúrbios industriais de São Paulo no final dos anos 1970”, acrescentou.

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O jornal também destacou o tópico das abstenções, ao afirmar que os aliados do petista as identificaram como principal oportunidade para o segundo turno e conseguiram “persuadir seus eleitores a comparecerem às urnas”.

O norte-americano The New York Times (NYT) ressaltou que o pai de Flávio tentou dar um golpe de Estado há quatro anos, além de citar a prorrogação da votação devido aos problemas envolvendo “atrasos de transporte e mau tempo”.

“O final caótico levantou a possibilidade de um resultado contestado; Bolsonaro disse que inundações em uma parte do país onde ele tinha vantagens eleitorais o prejudicariam injustamente, enquanto Lula acusou autoridades públicas de desacelerar propositalmente o transporte público em áreas onde ele venceu em uma rodada anterior de votação”, explicou.

O jornal abordou a trajetória de Lula, dizendo que o petista chegou a desafiar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, este que impôs um tarifaço contra os produtos brasileiros e sanções “para manter o pai de Bolsonaro, Jair, fora da prisão”.

The Wall Street Journal (WSJ) afirmou que o presidente reeleito Lula se consolida como um dos líderes democraticamente eleitos há mais tempo no poder no mundo, “em meio a uma reviravolta”. Por sua vez, o Financial Times destacou que a vitória eleitoral do líder petista representa um “golpe para o plano de Trump de aumentar a influência dos EUA na América Latina”. Conforme o periódico, o presidente conseguiu contrariar as projeções das pesquisas eleitorais que apontavam vantagem ao seu adversário.

O jornal argentino Clarín enfatizou que a campanha nas redes sociais foi fundamental para a reeleição de Lula, ao citar o canal da plataforma de mensagens WhatsApp “Exército do Lula” que aliados do candidato do PL tentaram censurar. O veículo ainda observou que, apesar do apoio público declarado pela Casa Branca a Flávio Bolsonaro, logo após o resultado, o governo norte-americano não emitiu comentários imediatos sobre isso nem parabenizou a vitória do petista.

Além disso, afirmou que o silêncio do governo da Argentina foi “ensurdecedor”. O presidente argentino Javier Milei é aliado de Flávio e chegou a fazer uma série de ofensas públicas contra o seu homólogo brasileiro ao longo das semanas.

O mesmo destaque foi conferido pelo site do jornal La Repubblica, que ressaltou o discurso do petista: “Derrotamos o negacionismo”. Além disso, definiu o presidente como “último baluarte da esquerda sul-americana”, diante da onda ultraconservadora que varreu a região nos últimos anos.

Para o Le Monde, a possibilidade de um retorno do bolsonarismo mais radical, alinhado aos Estados Unidos de Donald Trump, “levou os brasileiros a comparecerem em massa às urnas para dar uma nova chance à esquerda”. A vitória “incontestável” prova, segundo a matéria, “que o compromisso com a democracia, com a soberania nacional, com a proteção da Amazônia e com a justiça social permanece vivo entre os 214 milhões de brasileiros”

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