A campanha de Lula, o retrovisor e o para-brisa

Lula tem atraído multidões por onde passa, como em São Luís (MA) – Foto: Ricardo Stuckert

Sabemos que os responsáveis pela comunicação da campanha de Lula se pautam por pesquisas não só quantitativas, mas em especial pelas qualitativas, conhecidas como “qualis”, através das quais determinados assuntos são submetidos a grupos de eleitores de forma presencial, de preferência.

Vem daí, com certeza, a decisão de explorar o máximo possível as realizações dos governos de Lula e a consequente comparação com a tragédia fascista atual que se abateu sobre o país.Tudo certo até aí.

Contudo, na minha modesta opinião, para que a vitória no primeiro turno seja possível, está faltando a campanha ser mais assertiva e explícita em relação aos compromissos assumidos pelo futuro governo. Não foi à toa que, no debate da Band, Lula praticamente não falou de suas prioridades de governo.

Trocando em miúdos, sem prejuízo do passado, é preciso olhar para frente e deixar claro para o eleitor o que Lula pretende fazer para melhorar sua vida. Ou seja, sem esquecer do retrovisor, olhar para o para-brisa é essencial. 

E, dado o tempo confortável que a campanha de Lula dispõe no horário eleitoral de rádio e TV, o maior entre todos os postulantes à presidência, nem será preciso sacrificar o bloco voltado para as informações sobre as conquistas dos dois mandatos anteriores de Lula. É tudo uma questão de equilibrar o tempo.

Outra lacuna importante na campanha é a veiculação tímida das andanças de Lula pelo país. Em contraste com os outros candidatos, que fazem atividades para uma meia dúzia de gatos pingados, Lula tem reunido multidões por onde passa. Seria oportuno mostrar essas imagens com frequência, para capitalizar a força popular que respalda a candidatura de Lula.

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Poucas luzes

É de domínio público que o ex-juiz Sérgio Moro, declarado suspeito pelo Supremo Tribunal Federal, não se distingue pela inteligência e cultura. Isso para dizer o mínimo. A forma como ele maltrata e tortura a língua portuguesa, por exemplo, é constrangedora. Mas, ao informar à justiça eleitoral sua casa como comitê de campanha ele se superou. Deu no que deu: busca e apreensão em seu próprio lar.

Mistério

A propósito, ganha cada vez mais força a estranheza sobre como Moro conseguiu ser aprovado em um concurso concorridíssimo como o de juiz federal. A gente vê os chamados “concurseiros” se esfalfando de tanto estudar por anos a fio e, mesmo assim, muitos não conseguem a aprovação. Quem sabe o X da questão esteja na oligarquia reacionária até a medula que dá as cartas no Judiciário do Paraná.

Pés de barro

Não custa lembrar que Romário, em 2018, liderou por um bom tempo a campanha para o governo do Rio até que sua fragilidade, inconsistência e posições contrárias aos interesses populares fossem percebidas pelo eleitorado. Resultado: terminou com 6% dos votos. Agora, seria importante que seus adversários na corrida pelo Senado fizessem um levantamento de como ele votou em dezenas de matérias apreciadas pelo Senado. Verão que o “Peixe” esteve sempre do lado errado.

Calma, pessoal

Gente do campo progressista e de esquerda vem revelando nas redes sociais aflição com o 7 de setembro, devido à possibilidade de golpe, etc e tal. Mas a história deve se repetir em relação ao Dia da Independência de 2021:  muito alarido para pouco ou nenhum efeito prático. Provavelmente teremos mais uma micareta golpista, com muita gente, claro, pois qualquer candidato com cerca de 30% dos votos põe gente na rua. Mas no ambiente político atual, Bolsonaro está diante de uma armadilha: quanto mais golpismo demonstrar, pior para ele.