É hoje o dia do maior crime eleitoral da história do Brasil

Foto: Fernando Brazão/Agência Brasil

Escrevo nas primeiras horas da manhã deste 7 de Setembro, feriado nacional do Dia da Independência, que completa 200 anos.

Apesar de o país ainda ter um longo caminho pela frente até a conquista da verdadeira independência, hoje haveria lugar para a realização de uma grande festa cívica e popular, que serviria de reflexão sobre como chegamos até aqui e o passos necessários para a construção efetiva de uma nação inclusiva, justa e soberana.

Nada disso vai acontecer, no entanto. É que no Brasil de 2022 as celebrações da independência foram sequestradas pelo presidente de plantão, que, em ação sem precedentes em dois séculos, transformou a data em um grande comício eleitoral.

Esta usurpação, autêntica traição à pátria, configura-se em um megacrime eleitoral. Ao longo do dia, primeiro em Brasília e depois no Rio de Janeiro, Bolsonaro se valerá da estrutura do Exército, da Marinha e Aeronáutica, bancada com o dinheiro dos brasileiros e brasileiras, para pedir votos de forma desavergonhada.

Em seu programa eleitoral nesta terça-feira (6), Bolsonaro, nas barbas, portanto, da justiça eleitoral, convoca para sua micareta eleitoral e golpista, sem qualquer constrangimento.

Na certa, conta com a impunidade que desfrutou até hoje, depois de quase quatro anos de mandato e um número incontável de crimes comuns e de responsabilidade.

Mas, em hipótese alguma, podemos aceitar passivamente essa promiscuidade grotesca entre os papéis de um chefe de estado e de um candidato à reeleição.

Se o TSE não agir, jogará por terra todas as promessas feitas pelo ex-presidente do tribunal, Edson Fachin, e pelo atual, Alexandre de Moraes, no sentido de não permitir que o pleito de 2022 repita a esculhambação de 2018, marcado por um festival de injúrias, calúnias e difamações, patrocinado ilegalmente por empresários e usado à exaustão pela campanha de Bolsonaro.

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Estamos ferrados

Preocupante a reportagem do Poder 360 sobre a troca de mensagens de policiais militares acerca do 7 de Setembro. Com ameaças de tiro, porrada e bomba na esquerda e os ataques antidemocráticos de sempre ao STF, chegam a falar que vai haver morte no Dia da Independência. Não que seja novidade que tenhamos policiais adeptos do fascismo. Também não dá para generalizar, pois não são todos. Mas preocupa muito que a segurança da população esteja entregue a gente com essa mentalidade.

Vai ficar por isso mesmo?

“Bananinha na  cadeia” explodiu nas redes sociais depois que o deputado federal Eduardo Bolsonaro convocou os cidadãos que possuem armas a se apresentarem como voluntários na campanha de seu pai. A pergunta que se coloca é: o que aconteceria em qualquer país de democracia minimamente consolidada ao redor do planeta se um parlamentar, filho do presidente da República, fizesse um chamamento terrorista como este? Mas no Brasil…

O estrago do orçamento secreto

Para 76% dos brasileiros ouvidos pelo Ipec, a Câmara dos Deputados é a instituição mais corrupta do país, seguida de perto pelo Senado com 70%. Não que o Congresso Nacional antes do orçamento secreto comandado por Arthur Lira, com o apoio de Rodrigo Pacheco, gozasse de prestígio popular. Mas agora está no fundo do poço.

Mais uma

Enquanto seus advogados tentam tirar do ar o vídeo da coligação de Lula sobre a farra imobiliária de sua família com dinheiro vivo, Bolsonaro protagonizou mais uma entre tantas grosserias machistas e misóginas durante entrevista à Jovem Pan. Tudo porque a jornalista Amanda Klein lhe perguntou sobre o escândalo dos imóveis. “Você é casada com uma pessoa que vota em mim”, respondeu o boçal. Não há Michele na campanha que dê jeito. Bolsonaro detesta as mulheres.