
Ainda que tenha trazido à tona fortes indícios de corrupção de alguns expoentes do Centrão que se esmeravam em servir ao banqueiro criminoso Daniel Vorcaro, como no caso do senador Ciro Nogueira, as decisões do ministro do STF, Andre Mendonça, à frente do inquérito do Banco Master mostram que sua prioridade é blindar o clã Bolsonaro.
Os dois pesos e duas medidas utilizados pelo ministro para ordenar à Polícia Federal ações de busca e apreensão são de uma clareza estelar. Flávio Bolsonaro foi flagrado em áudio pedindo R$ 160 milhões para Vorcaro, supostamente para produzir um dos filmes mais caros da história do cinema. As notícias que se seguiram revelaram um caminho tortuoso do dinheiro, chegando ao financiamento da vida de rico que Eduardo Bolsonaro leva nos Estados Unidos.
Mesmo diante de tantas evidências, os dois filhos de Bolsonaro foram poupados por André Mendonça. Nada de operação de busca e apreensão para revolver as entranhas desse episódio.
Mesma sorte não teve o senador petista Jaques Wagner, líder do governo no Senado.
Não é o caso aqui de absolver nem de condenar o senador, a quem cabe responder às acusações. Mas adianto que vejo como imprópria e inadequada a proximidade de um senador da República com um sócio de Vorcaro, negociando compra de um imóvel de alto padrão.
Também penso que merece questionamentos a conduta de Wagner como líder do governo, pois não raro suas relações de compadrio com senadores do campo conservador acabam por prejudicar uma articulação mais efetiva em defesa dos interesses do governo.
Sem falar na defesa que faz do estado de Israel, expondo sua simpatia pelo sionismo, o que é vergonhoso para um integrante do Partido dos Trabalhadores.
Tudo isto posto, o que até agora pesa contra o senador, como escreve o jornalista Luis Nassif em artigo publicado no seu portal de notícias, são suposições e teses acusatórias por parte da Polícia Federal.
Por óbvio, Wagner também deve explicações sobre o dinheiro encontrado em seus endereços.
Amigo de Lula e militante do PT há mais de 40 anos, acho que ele tinha a obrigação de escolher melhor suas relações com gente graúda do mundo capitalista. Terminou por trazer para o governo um escândalo que tem as digitais dos bolsonaristas e de seus aliados do Centrão. E justo no momento em que Lula reage nas pesquisas, enquanto Bolsonarinho encolhe.
Dever ser assegurada ao senador as premissas constitucionais da presunção de inocência e do amplo direito de defesa. Mas espero que Wagner entenda que o projeto político está em primeiro lugar.
Deixar a liderança do governo, portanto, é para ontem.

