
Foto: Ricardo Stuckert e Clauber Caetano/PR
O Jornal Nacional é o programa de maior audiência da televisão brasileira. Com justa razão, portanto, criou-se a expectativa de que as entrevistas com os candidatos à presidência da República pudessem mexer com as peças do tabuleiro eleitoral.
Ledo engano. A pesquisa Ipec, contratada pela Rede Globo e divulgada na noite desta segunda-feira (29), trouxe os mesmos números do levantamento feito antes das sabatinas: Lula 44%, Bolsonaro 32%, Ciro 7% e Simone Tebet 3%.
Abre parênteses: a candidata Soraya, de sobrenome tão complicado que nem vale a pena tentar escrever, teve zero e Felipe D’Ávila, o que prega a destruição do Estado, cravou 1%. Sim, é fato que os entrevistadores do Ipec foram às ruas antes do debate, mas essa pontuação mostra que o formato do debate, que inclui candidatos sem nenhuma expressão eleitoral, precisa ser revisto. Fecha parênteses.
Mas, ante à constatação óbvia de que o JN teve uma audiência bem superior ao debate da Band, uma reflexão se impõe: se nem as entrevistas da Globo foram capazes de produzir mudanças, será que o debate terá o condão de impulsionar candidaturas ou arranhar outras?
Mesmo podendo cair do cavalo, risco inerente a qualquer previsão no mundo da política, atrevo-me a responder que não. A impressão que se tem a esta altura, faltando praticamente um mês para a eleição, é que grande parte do eleitorado adota um comportamento parecido com o torcedor de futebol: a adesão ao seu time independe de ganhar ou perder uma ou outra disputa.
Trocando em miúdos, caso seu candidato vá bem em debates e entrevistas, ele comemora, mas, ainda que a performance não seja boa, isso não é motivo para optar por outra candidatura.
Isto posto, é provável que o próximo Datafolha aponte um crescimento residual de Tebet e talvez de Ciro. Nada, porém, que mude a toada atual.
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Molecagem
Ter na presidência da República um sujeito mau caráter como Bolsonaro é motivo de vergonha, muita vergonha na cena internacional. Ampliando a condição do Brasil de pária internacional, agora é o presidente de uma nação amiga como o Chile, Gabriel Boric, que convoca seu embaixador no Brasil para esclarecimentos sobre o ataque de Bolsonaro, que durante o debate disse que “o Chile tem um presidente que botava fogo no metrô.”
Debates sem Bolsonaro
Depois da péssima repercussão das investidas grosseiras de Bolsonaro contra as mulheres e a imprensa no debate na Band, cresce no campanha do capitão fascista a convicção de que ele não deve comparecer a mais nenhum debate no primeiro turno. São três, no mês de setembro: dia 13, na TV Aparecida; 24, no pool entre SBT, CNN, Veja, Estadão e Nova Brasil FM; e 29, na Rede Globo.
É isso, Nassif
O jornalista Luis Nassif acertou o alvo ao analisar o debate da Band. Este modelo de debate criado nos Estados Unidos, lembra Nassif, foi adaptado no Brasil com um condimento tupiniquim: a participação de vários candidatos no mesmo debate, mesmo alguns pontuando zero ponto nas pesquisas. ”Pior: sem nenhuma espécie de checagem da enxurrada de números que brota nos debates, o sujeito pode mentir à vontade, sem ser incomodado nem pelos entrevistadores nem pelos adversários, em função das regras impostas pelo debate.”
Trama barra pesada
Ao levantar o sigilo da decisão de investigar empresários bolsonaristas, com busca e apreensão, quebra de sigilo bancário e suspensão do acesso às redes sociais, o ministro Alexandre de Moraes mostrou que estavam enganados os que viam açodamento e falta de base legal para sua ação. Em um extenso relatório, Moraes escreve que “não há dúvida da possibilidade de atentados contra a democracia e o Estado de Direito, na conduta dos empresários.” E, segundo o gabinete do ministro, tudo leva a crer que Luciano Hang estava à frente da conspiração contra a democracia.