Mauro Cid levantou o tapete e sujeira vai além das joias

Por Julinho Bittencourt                                                                                       

 

Mauro Cid em depoimento à CPMI dos Atos Golpistas. Youtube

O ex-ajudante de ordens Mauro Cid resolveu não só contar tudo como também colaborar com as investigações da Polícia Federal (PF) que envolvem seu ex-chefe, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ele está em fase de “pré-delação”, momento em que o investigado entrega tudo o que sabe. Só após isso é que os investigadores irão avaliar se há ou não consistência para uma delação premiada.

Uma nova linha de investigação, que ainda não foi revelada, pode surgir a partir daí.

Os outros quatro depoentes, no entanto, o pai de Cid, Mauro Lourena Cid; o ex-ajudante de Bolsonaro Osmar Crivelatti; e o advogado Frederick Wasseff, optaram por responder às perguntas.

A casa, quando se divide, cai“, afirmou uma fonte da PF ao blog.

Enquanto isso, Cid continua falando. Ele já deu 22 horas de depoimento e não deve parar por aí.

Dino comentou silêncio

O ministro da Justiça, Flávio Dino, que antes de entrar para a política atuou por anos como juiz federal, evocou sua experiência como magistrado para interpretar o silêncio de Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e os outros assessores envolvidos no escândalo das joias.

Segundo o ministro, quando investigados decidem ficar em silêncio diante de interrogatórios, é pelo fato de que falar poderia piorar a situação. 

“Fui juiz federal por 12 anos. E sempre dizia aos acusados: o interrogatório é um momento precioso para a autodefesa. Poucos abriam mão desse direito. E quando o faziam, era em razão da avaliação deles de que falar era pior do que calar. A experiência sempre ensina muito”, escreveu Dino em seus perfis nas redes sociais.