O estádio russo que virou piada

Por ESPN                                                                                                 

O Brasil roubou as manchetes com todos os problemas que teve nas obras para a Copa do Mundo de 2014 e chegou até a ‘tomar um chute na bunda’ do então secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke. Mas qualquer problema brasileiro parece mínimo perto do que está acontecendo no Krestovsky Stadium, em São Petersburgo.

O estádio russo para o Mundial de 2018 – e que antes recebe quatro jogos, incluindo a final, da Copa das Confederações deste ano – já tem um custo mais de 7 vezes maior que o estipulado, está atrasado em seis anos e acabou mergulhado em crises que vão de corrução até escravidão.

A arena será casa do Zenit e, na verdade, era planejada para ser inaugurada ainda em 2009. Com a Copa do Mundo, porém, ganhou um design completamente diferente – algo parecido com o que aconteceu com a Arena Corinthians – e só começou a ser construída em 2008, com novo prazo de conclusão para 2010.

No meio, o governo de São Petersburgo, que financia boa parta da obra, entrou em atrito com a construtora e quase deixou a Copa em risco. Foi preciso a intervenção do presidente Vladimir Putin para aparar as arestas, o que acabou com a retirada da construtora em questão.

Até agora, porém, nada está pronto. Desde então, a data de inauguração foi adiada seis vezes. Agora, a expectativa é de que o primeiro jogo no local aconteça agora em abril.

Em meio a tudo isso, o preço da construção também explodiu. A obra deveria custar 6,7 bilhões de rubros (algo em torno de R$ 370 milhões), mas já está avaliada em 48 bilhões (R$ 2,6 bilhões).

Muito, claro, por conta de corrupção. Em novembro de 2016, o vice-governador de São Petersburgo, Marat Oganesyan, acabou preso por organizar um esquema que teria desviado quase 50 milhões de rubros (R$ 2,75 milhões) do orçamento da obra. Outras investigações ainda estão sendo feitas no país.

Mesmo tão cara, a obra em si também teve vários problemas. Em uma visita, a Fifa descobriu várias falhas técnicas. O Zenit, futuro dono do estádio, também reclamou e entregou uma lista com mais de 1.000 itens a serem corrigidos.

Não bastasse tudo isso, um novo escândalo abalou o estádio no fim de março: 110 norte-coreanos foram descobertos trabalhando em condições de escravidão no local e acabaram retirados da obra.

Segundo a revista norueguesa Josimar, eles trabalhavam sete dias por semana, viviam em condições não-humanas e dormiam em containers carregamentos de barcos. Um dos trabalhadores foi encontrado morto em um container.

Não por menos, a obra acabou virando piada. O canal de televisão russo 2×2 criou uma sátira em desenho com uma miniatura do estádio em Lego que nunca poderia ser acabada.

“Seu filho acaba de montar as coisas muito rapidamente? Não sabe o que fazer para mantê-lo ocupado? Dê a ele um Lego da Zenit Arena! Ele não será capaz de construí-lo na primeira, nem na segunda e nem na terceira tentativa. Até sua criança vai entender o significado de ‘desperdício inútil de dinheiro”, diz o desenho.

A própria população local já apelidou o estádio de “Arena Vergonha” e “Arena Propina”.

A salvação para ele ficar pronto? A reza!

Em setembro, a Igreja Ortodoxa Cristã, junto a membros do governo, organizou uma reza coletiva para pedir aos céus a benção para que as obras finalmente terminem.