Os três movimentos do eleitorado que podem levar Lula à vitória no primeiro turno

Foto: Ricardo Stuckert

Nesta reta final do primeiro turno das eleições presidenciais, com mais de 80% dos eleitores se dizendo convencidos de seu voto, é difícil que pesquisas feitas com uma semana de intervalo apresentem variações fora da margem de erro.

Então, para saber se houve alguma modificação real na disputa, é preciso olhar para o conjunto de dados captados pela pesquisa do Ipec divulgada na noite desta segunda-feira (19).

E todos os números apontam na mesma direção. Lula subiu de 46% para 47% e Bolsonaro se manteve com 31%, mas o ex-presidente passou de 51% para 52% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro recuou de 35% para 34%.  Já a diferença entre Lula e Bolsonaro em um eventual segundo turno, que era de 17 pontos percentuais, na semana passada, chegou a 19 pontos agora.

Bolsonaro manteve o percentual de 50% que garante não votar nele em hipótese alguma, mas a rejeição a Lula oscilou para baixo, de 35% para 33%.

As alterações são mínimas, mas como se verificam de forma homogênea em praticamente todos os itens importantes do levantamento, acabam conformando uma tendência positiva para Lula no que tange à vitória no primeiro turno, faltando apenas 12 dias para o pleito. 

Outro dado relevante do Ipec: o movimento pelo voto útil ainda não fez efeito entre os eleitores de Ciro e  Simone Tebet. No entanto, começa a aparecer o avanço de Lula no contingente de eleitores que pretende votar nulo e branco, que caiu de 6% para 5%.

Sobre o voto útil, a manutenção de Ciro e Tebet nos mesmos patamares da pesquisa anterior, 7% e 5% (+1%), respectivamente, indica que a parcela dos eleitores desses dois candidatos que pode mudar de voto o fará às vésperas ou até no dia da eleição.

Mais ou menos como aconteceu na eleição para a prefeitura do Rio, em 2016, quando na última hora os eleitores de Jandira Feghali resolveram descarregar votos em Marcelo Freixo.

Hoje, em artigo no UOL, o jornalista José Roberto Toledo levanta uma vertente interessante do voto em Lula. É o “voto amedrontado”, que parte de pessoas que temem revelar sua opção por Lula, pois isso “pode representar a perda da marmita ou da vida.”

Tudo isso considerado, são três os caminhos que podem levar o Brasil a se livrar do fascismo já em 2 de outubro: 1) Crescimento de Lula entre os indecisos; 2) Voto útil decidido nos dias que antecedem às eleições, ou mesmo no próprio 2 de outubro; 3) Voto amedrontado.

Além de muita rua e muita rede por parte da militância.

Venceremos.

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Dá-he Paraná Pesquisas

Alvo de diversas acusações de manipulação de pesquisas eleitorais, agora surge a informação de que o instituto Paraná Pesquisas recebeu do PL, partido de Bolsonaro, 2,7 milhões este ano, em parcelas entre janeiro e julho. Difícil acreditar em coincidência diante do fato de que o Paraná Pesquisas, afrontando levantamentos de todos os outros institutos, tem apontado empate técnico entre Lula e Bolsonaro.

Auxílio não dá nem para comer

Deu no site da CUT: “Em 12 capitais brasileiras, incluindo Brasília, a cesta básica custa mais do que o valor do Auxílio Brasil. Isso significa que milhares de pessoas no país não estão conseguindo comprar sequer o mínimo para ter as calorias necessárias e se alimentar três vezes ao dia, se dependerem apenas do benefício para sobreviverem.”

Zero voto

Assim como o sequestro do 7 de Setembro não lhe trouxe avanço nas pesquisas, a utilização dos funerais da Rainha Elizabeth II como comício por parte de Bolsonaro deve ser outro autêntico tiro n’água, sem qualquer retorno eleitoral. O problema para Bolsonaro é que essas tentativas velhacas de reverter o quadro eleitoral desfavorável são percebidas por mais gente do que se imagina. E o TSE, no fim desta segunda-feira (19), ainda lançou a pá de cal sobre a palhaçada bolsonarista em Londres: proibiu o uso destas imagens na campanha. 

Festival de horrores

Já tratei deste assunto aqui, mas é que cada vez fico mais chocado com o nível rasteiro de boa parte dos candidatos a deputado que desfilam no horário de propaganda eleitoral da televisão. Quase todos se arvoram defensores dos “valores da família.” Cruz credo. Fortemente concentrada nos partidos conservadores, essa safra de políticos de tão baixa extração ajuda a entender a desgraceira que se abateu sobre o estado do Rio de Janeiro.