Hoje, na barafunda em que se tornou o mercado de notícias, a grande estratégia midiática seria conquistar o eleitor racional dos dois lados — centro-esquerda e centro-direita. Faz-se isso praticando jornalismo com credibilidade, mesmo sem renegar inclinações políticas.
Mas, a exemplo do período Lava Jato, a Lava Jato 2 prescinde da objetividade jornalística. O que importa é emplacar a manchete, uma caixa tonitruante sem nenhum conteúdo. E o alvo de sempre é Fábio Luís.

A rodada atual chama atenção. Primeiro, uma saraivada de supostas denúncias — a mais recente, um terceiro pedido de abertura de inquérito. Depois, uma pesquisa que, embora dentro da variação estatística, mostra avanço de Flávio e recuo de Lula. Tudo concatenado para provocar uma reversão da boca de jacaré das pesquisas, que avançava em favor de Lula.
Além de Fábio Luís, o alvo principal é Roberta Luchsinger, uma aventureira que se apresentava falsamente como membro da família fundadora do Credit Suisse e que trabalhava para o tal Careca do INSS, antes de o escândalo explodir.
Roberta tornou-se sua amiga. Vale-se da amizade? Deve se valer. Como centenas de outros lobistas, que se valem de conhecimento da máquina pública ou de amizades pessoais para ganhar status.
Mas a corrupção só se configura no fato consumado: no contrato que atropela as normas de licitação, na contrapartida recebida pelo contratante, na atuação ativa do amigo. Nada disso aparece nas três denúncias da PF contra Fábio Luís.
A PF levantou que Roberta Luchsinger, sempre chamada de “amiga de Lulinha”, fez mais de 40 visitas “fora de agenda” a órgãos do governo.
Só no quarto ou quinto parágrafo aparece a primeira informação sobre contratos fechados: nenhum. Não conseguiu nada no Ministério da Saúde, no Serpro, junto a Wellington Dias. Mas pouco importa.
A única irregularidade explícita é o vazamento, para fins políticos, de informações que deveriam estar sob sigilo — o atropelo de normas básicas de direito, o desrespeito a direitos individuais, por veículos que não obedecem minimamente às regras básicas da democracia.
A prova dos nove será a terceira denúncia, em mãos de Flávio Dino. Se for mais um fogo fátuo, o jogo acaba. Se tiver algum elemento concreto, vai continuar nas manchetes, enquanto se esquece totalmente das ligações de Daniel Vorcaro com os Bolsonaro.