As pesquisas Genial/Quaest e Datafolha mais recentes para o Senado apontam um cenário amplamente favorável aos candidatos apoiados pela base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos quatro estados do Sudeste. Embora a disputa ainda esteja em estágio inicial e apresente elevados índices de indecisão, nomes vinculados à base do governo aparecem liderando ou ocupando posições estratégicas para conquistar vagas em disputa em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
O quadro chama atenção especialmente por Minas Gerais, onde o PT jamais conseguiu eleger um senador. Agora, a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), aparece na liderança em todos os cenários testados por diferentes institutos.
Caso esse desempenho se confirme nas urnas, o campo político de Lula poderá ampliar sua representação no Senado justamente em estados estratégicos, fortalecendo a sustentação parlamentar do governo a partir de 2027. Ao mesmo tempo, os elevados índices de indecisão recomendam cautela: com dois votos por eleitor e campanhas ainda em fase inicial, o cenário permanece sujeito a mudanças ao longo da disputa.
O marco histórico em Minas Gerais
O estado de Minas Gerais, tradicional reduto de forças conservadoras e onde o PT jamais conseguiu eleger um senador em sua história, apresenta o dado mais simbólico do levantamento. A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), aparece na liderança da disputa por uma vaga ao Senado, com 18% a 19% das intenções de voto. A disputa pela segunda vaga permanece embolada entre Aécio Neves (PSDB), Carlos Viana (PSD), Marcelo Aro (PP) e outros candidatos.
Segundo a pesquisa Genial/Quaest, realizada entre 22 e 26 de julho de 2026 com 1.482 eleitores, a petista consolidou um crescimento sustentado, surfando na onda de aprovação de políticas sociais e na rejeição a figuras do passado político mineiro.
Analistas apontam que uma vitória de Marília Campos representaria a quebra de um “teto” histórico do PT no estado, transformando a conquista em um dos maiores trunfos da campanha presidencial à reeleição.
Consolidação da base aliada em SP, RJ e ES
Nos demais estados do Sudeste, a hegemonia da base progressista também se confirma, ainda que com dinâmicas locais distintas. Em São Paulo, a disputa é encabeçada pelas ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), ambas alinhadas ao governo federal, que lideram os cenários estimulados do Datafolha com 18% e 16%, respectivamente.
A presença de nomes bolsonaristas aparece logo atrás, em um campo disputado, mas sem superar a soma da base governista. As candidatas aparecem numericamente à frente de Ricardo Salles (Novo), com 13%, André do Prado (PL), com 11%, e Guilherme Derrite (PP), com 10%.
No Rio de Janeiro, Benedita da Silva (PT) aparece na liderança tanto na pesquisa Quaest quanto na Paraná Pesquisas. Ela aparece à frente de adversários de peso como Marcelo Crivella (Republicanos). Pela Paraná, registra 29,8% das intenções de voto, empatada tecnicamente com Marcelo Crivella (Republicanos), que soma 25,4%. Já na Quaest, Benedita também ocupa a primeira posição nos cenários estimulados registrando 29,8% das intenções de voto.
A força de Benedita reflete a capilaridade do PT nas periferias fluminenses e a associação direta com a pauta de direitos humanos e programas de transferência de renda. O desempenho reforça a competitividade da ex-governadora para retornar ao Senado, cargo que exerceu entre 1995 e 1999.
Já no Espírito Santo, o ex-governador Renato Casagrande (PSB) comanda a corrida senatorial com folga, oscilando entre 24% e 31% das preferências, segundo o mesmo instituto Quaest. Casagrande capitaliza sua imagem de gestor competente e sua aliança sólida com o Planalto, dificultando a articulação de uma oposição coesa no estado. O senador Fabiano Contarato (PT) aparece entre 6% e 9%, mantendo-se competitivo na disputa pela segunda vaga.
Assim como em São Paulo, a pesquisa registra elevado índice de indefinição: 70% dos eleitores não sabem em quem votar na consulta espontânea, indicando que a campanha ainda deverá produzir mudanças importantes no quadro eleitoral.
O desafio de transformar intenção em voto
Apesar do otimismo dos números, cientistas políticos alertam para o abismo entre a intenção de voto a poucos meses do pleito e o resultado final nas urnas. O eleitorado do Sudeste, que concentra o maior colégio eleitoral do país, é historicamente volátil e sensível a oscilações da economia e a eventos de última hora.
Para a base de Lula, o desafio agora é duplo: manter a coesão do arco de alianças para evitar a fragmentação de votos e, principalmente, converter a liderança de Marília Campos em MG em uma vitória concreta, reescrevendo, finalmente, a relação histórica da esquerda com o complexo eleitorado mineiro.