A onda da direita decorre da incapacidade de enxergar no status quo qualquer perspectiva de auto-mudança. Essa é a praga que acomete governos longevos. O mundo e as pessoas mudam, por mérito ou culpa de seus governos, mas há uma resistência persistente em entender o novo.
Essas eleições marcam o fim da geração das Diretas, aquela que legou lideranças como Fernando Henrique Cardoso, Lula, Mário Covas e Franco Montoro, entre outros. Essa geração aprofundou a democracia e amenizou a selvageria do capitalismo brasileiro, mas foi incapaz de construir o futuro. Foi contaminada pelo pecado capital de FHC e pela chamada teoria do choque na transição de uma economia centralizada para uma economia de mercado. O país acabou tragado pela financeirização mais agressiva, por privatizações sem planejamento e por uma inserção atabalhoada no mercado internacional, cujo fecho foi a adoção da política de metas de inflação — tornando a nação refém do capital volátil e de taxas de juros exageradamente elevadas.
Tudo isso é assunto para o fim do segundo turno e para preparar o governo Lula 4. Agora, o ponto principal é a luta intransigente contra a desinformação:
- Os mais pobres precisam compreender o que significaria um presidencialismo de Bolsonaro para seus direitos básicos.
- Os aposentados e futuros aposentados devem ser alertados sobre as ameaças reais que pesam sobre a previdência presente e futura.
- Os usuários do SUS e da Farmácia Popular precisam ser conscientizados sobre os riscos que rondam essas conquistas essenciais.
- Os defensores da democracia devem ser lembrados da gravidade da perda de direitos ocorrida durante o período da Lava Jato e do bolsonarismo.
- Os setores mais esclarecidos precisam entender o verdadeiro significado da perda de soberania nacional.
Nosso trabalho é lutar incansavelmente para não legar aos nossos filhos a herança maldita do bolsonarismo e do fim da democracia.