Como a Globo vai tentar emparedar Lula

Foto: Divulgação TV Globo/ Ricardo Stuckert/Instituto Lula

O assunto hoje não pode ser outro, que não a expectativa para a entrevista de Lula logo mais no Jornal Nacional. E não é preciso ter bola de cristal para imaginar a tática a ser adotada pela Globo e verbalizada pelos entrevistadores William Bonner e Renata Vasconcelos.

É provável  que a Globo pegue pesado e tente transformar a entrevista em uma máquina de moer gente, favorecida inclusive pelo formato que praticamente impede o candidato de apresentar propostas e projetos para o país.

Nada, porém, que um quadro inteligente, sagaz e experiente como Lula não possa enfrentar e se sair bem. Quem sou eu para sugerir linhas de argumentação para Lula, mas torço para que o ex-presidente em suas respostas sobre  o “petrolão”, demais processos e sua prisão, assuntos que serão explorados, não deixe a Globo de fora.

Fará bem para a nossa combalida democracia abordar o protagonismo da empresa na maior caçada já feita a um político brasileiro, da qual Lula foi vítima. Na certa, a Globo tentará desqualificar a inocência do ex-presidente nos processos da Lava Jato atribuindo sua saída da prisão à anulação formal das acusações.

Mas aí Lula tem à disposição para ser usado o fato insofismável de sua absolvição em 21 processos e a suspeição de Moro decidida pelo STF e endossada até pela ONU. Para evitar que Lula fale sobre economia, é previsível que os entrevistadores apelem para a tese de que Lula não foi condenado só por Moro, mas por outras instâncias do Judiciário.

Lula estará diante, então, de uma  oportunidade de ouro para explicar didaticamente como se deu o maior conluio judicial-midiático da nossa histórica, responsável não só por sua prisão, mas também pelo golpe de estado de 2016.

E a única maneira de Lula falar da fome, da precarização, do desemprego, da carestia generalizada da comida e da destruição da economia, o que realmente interessa ao povo brasileiro, é quebrar o protocolo e enfiar esses temas na ladainha global sobre corrupção.

—————————————————————————————–

Obrigado, ministra

Um vídeo da CUT contendo informações públicas sobre o comportamento genocida de Bolsonaro durante a pandemia alcançava uma quantidade modesta de acessos até que a ministra do TSE, Maria Cláudia Bucchianeri, determinou que a peça fosse censurada. Foi a senha para o vídeo explodir nas redes. Ah, a ministra acaba de ser indicada para o tribunal pelo capitão. A censura é decididamente uma coisa burra.

Globo sendo Globo

Só quem finge não conhecer minimamente a Globo pode não dar crédito à informação do jornalista Ricardo Noblat, que em sua coluna no site Metrópoles informou que a entrevista de Bolsonaro ao Jornal Nacional foi precedida por um acordo entre as partes. Bolsonaro exigiu, e a Globo aceitou, que estavam proibidos assuntos  de corrupção envolvendo sua família, como rachadinha, mansão de Flávio em Brasília e depósitos na conta da primeira dama.

Candidaturas coletivas

Boa notícia: concentradas especialmente no PSOL e no PT e protagonizadas em muitos casos por mulheres e pessoas pretas cresceu de forma significativa na eleição de 2022 o registro de candidaturas coletivas. Segundo reportagem publicada no site Jota, são 213 candidaturas deste tipo em todas as regiões do país, sendo que 64% destinam-se aos Legislativos estaduais, 34% são para deputado federal e 2% para o Senado. Tudo indica que a inovação participativa e democrática veio para ficar.

Revogação gerando emprego

A revogação da reforma trabalhista da Espanha ocorrida em fins de 2021 já apresenta resultados positivos para os trabalhadores. A contrarreforma conduzida pelo governo de Pedro Sánchez reduziu em mais de 500 mil o número de desempregados. Ouvido pelo portal Brasil de Fato, Luis Ribeiro, técnico do Dieese, disse que a eleição brasileira pode definir que tipo de trabalho o país pretende gerar: ”o menos protegido proposto por Temer em 2017 ou o mais digno que está sendo discutido pelos opositores de Bolsonaro.”