
Foto: Evaristo Sá/AFP
Pela definição do próprio Ministério Público, o MP Eleitoral “deve ser a própria voz da sociedade perante a Justiça Eleitoral, por isso, equidistante das partes envolvidas, buscando apenas o cumprimento da lei e a imparcialidade na condução dos atos judiciais eleitorais.”
Ou seja, requisitos que o procurador-geral da República, Augusto Aras, também procurador-geral eleitoral, está a anos luz de distância de preencher. Depois de literalmente avacalhar a função republicana do cargo que ocupa, se mantendo fiel a Bolsonaro e não à Constituição, agora vem a notícia estarrecedora de que trocava mensagens com empresários golpistas em grupo de WhatsApp.
Afora a aberração de o chefe do Ministério Público participar de grupo com gente que pretende golpear o estado democrático de direito, o que se sabe até o momento sobre as mensagens de Aras já o compromete e é suficiente para que ele perca as condições mínimas de desempenhar papel tão importante nas eleições.
Segundo vazamentos feitos pela própria Polícia Federal, os celulares apreendidos dos empresários revelam que Aras criticava o ministro Alexandre de Moraes e tecia comentários sobre táticas e estratégicas convenientes à candidatura de Bolsonaro.
Aos advogados da candidatura de Lula não cabe outra ação que não seja pedir o afastamento imediato de Aras da chefia do MP Eleitoral por absoluta falta de isenção.
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Cerco a empresários golpistas
Nesta terça-feira (23), o âncora da rádio CBN, Carlos Andreazza, defendeu a tese de que o conchavo golpista dos empresários bolsonaristas, embora execrável, só tem interesse jornalístico, não havendo justificativa para busca e apreensão, bloqueio de perfis nas redes sociais e quebra de sigilo bancário e telefônico, conforme determinou o ministro Alexandre Moraes, a pedido da Polícia Federal.
Só que…
O jornalista esquece de informar ao distinto público que as conversas vazadas de um grupo de WhatsApp levantam suspeitas de compra de votos de empregados desses empresários, financiamento de atos antidemocráticos e financiamento ilegal da campanha de Bolsonaro. Ou seja, a decisão de Moraes conta com embasamento jurídico e age no sentido, também, de preservar a lisura das eleições.
Vai entender
É impossível a esta altura que os bravos repórteres e editores da mídia alternativa não saibam que o índice de confiabilidade de pesquisas feitas por telefone é baixo, porque exclui da amostra cerca de 25% do eleitorado e não apresenta ao entrevistado um cartão com a opção dos candidatos. Exatamente por esses motivos, elas sempre apresentam um cenário melhor para Bolsonaro. Penso que o destaque exagerado dado a essas pesquisas mequetrefes são desproporcionais a sua importância.
Um problemão
Em entrevista ao site G1, do Grupo Globo, Fernando Haddad disse que o Centrão é um grande mal para o país e precisa ser isolado. Está coberto de razão. Mas o nó da questão é outro: para evitar a influência do Centrão, a esquerda e aliados têm que eleger um número bem maior de parlamentares do que têm conseguido ao longo da história.
Outra de Maurício Souza
O jogador de vôlei bolsonarista Maurício Souza, que ano passado foi afastado do clube que defendia, o Minas, por declaração homofóbica, voltou ao noticiário. Depois de ter sua candidatura a deputado federal pelo PL impugnada pela justiça eleitoral por não ter votado na última eleição, ele justificou que não votou porque estava atuando pela seleção brasileira. Mas, segundo notícia publicada na Revista Fórum, Maurício foi desmentido pelo repórter Demétrio Vechiolli, que garante que o jogador nunca serviu à seleção durante qualquer eleição.