O colapso de uma massa de gelo em uma região de alta altitude no Himalaia desencadeou uma enxurrada devastadora que já deixa ao menos 552 mortos na fronteira entre o Nepal e a China. Do total de vítimas confirmadas pelas autoridades locais, 547 foram registradas em território nepalês e 5 na região do Tibete. Mais de 1,5 mil pessoas seguem desaparecidas, entre moradores, agentes públicos e centenas de estrangeiros.
A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho estima que ao menos 93 mil pessoas foram diretamente afetadas pelo desastre. A enxurrada de lama, água e pedras destruiu vilarejos inteiros, rodovias e pontes, isolando comunidades montanhosas e arrastando corpos por dezenas de quilômetros ao longo da bacia hidrográfica regional.
“Estamos, naturalmente, muito preocupados com uma inundação secundária“, disse David Fisher, chefe da delegação da Cruz Vermelha no Nepal. Fisher apelou para que agências de ajuda humanitária trabalhem além da “sobrevivência imediata” para garantir “que as pessoas não estejam vivendo sob lonas e em barracas daqui a muitos meses”. Ele também ressaltou o impacto devastador do desastre nas operações de campo: “Infelizmente, houve uma demanda muito alta por sacos para cadáveres”.
A tragédia começou quando o desprendimento da massa glacial bloqueou temporariamente o curso de um rio. A água acumulada rompeu a barreira natural horas depois e desceu com extrema violência rio abaixo.
As buscas por sobreviventes precisaram ser interrompidas temporariamente devido ao rompimento das margens de um reservatório formado no lado tibetano. O volume represado ultrapassou 2,5 milhões de metros cúbicos de água, forçando moradores do distrito nepalês de Rasuwa a buscarem abrigo em pontos mais altos.
“Não parou”, disse à Associated Press o porta-voz da polícia nepalesa, Abi Narayan Kafle. As equipes em campo foram orientadas a evacuar o local imediatamente a qualquer sinal de nova elevação do nível da água.
Aquecimento Global e Impasse Logístico
Cientistas destacam que o aumento acelerado das temperaturas no Himalaia acelera a desestabilização de formações de gelo e amplia o risco de desastres em cascata sobre as cidades nos vales.
Apesar do cenário crítico e da dificuldade de acesso às zonas atingidas, o governo do Nepal declarou que suas forças de segurança locais dão conta das missões de salvamento e recusou auxílio internacional. Equipes de resposta rápida enviadas por outros países, como um contingente da Coreia do Sul, permanecem paralisadas na capital Katmandu.