Lula aposta em desafio sobre sigilos para pressionar Flávio

Foto: Ricardo Stuckert

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu intensificar a cobrança para que o senador Flávio Bolsonaro (PL) torne públicos seus sigilos bancário e telefônico. A estratégia busca colocar o adversário sob pressão nos últimos dias que antecedem o segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25).

A cobrança foi apresentada diretamente por Lula durante o debate, quando o presidente desafiou Flávio Bolsonaro a abrir seus registros bancários e telefônicos. O senador não respondeu diretamente à proposta e preferiu contra-atacar, acusando o petista de receber recursos “por fora”.

Apesar da reação do candidato do PL, a avaliação entre os auxiliares do presidente é de que o episódio oferece uma oportunidade de ampliar o desgaste político do adversário. Por isso, a campanha pretende retomar a cobrança ao longo da semana, buscando fazer da transparência financeira um dos temas centrais da disputa eleitoral.

De acordo com a apuração da coluna, a iniciativa de confrontar Flávio Bolsonaro sobre seus sigilos não surgiu de maneira improvisada durante o debate. A proposta foi apresentada ao presidente por um ministro de seu governo, que sugeriu utilizar a questão como instrumento de pressão política contra o senador.

A estratégia foi incorporada à participação de Lula no confronto televisivo e, diante da avaliação positiva de seus aliados, deverá ganhar continuidade nas ações de campanha.

Para integrantes do entorno presidencial, o fato de Flávio não ter aceitado o desafio durante o debate permite que Lula continue cobrando uma resposta pública do adversário. A aposta é que a insistência no assunto amplie a repercussão do episódio e mantenha o senador na posição de ter de explicar sua reação à proposta.

A campanha petista também considera importante explorar os momentos do debate que, na avaliação de seus integrantes, foram mais favoráveis ao presidente. Nesse contexto, a cobrança pela abertura dos sigilos passou a ser tratada como uma das prioridades da comunicação eleitoral nesta última semana.

A decisão ocorre em um momento decisivo da disputa presidencial. Com o segundo turno previsto para 25 de outubro, Lula e Flávio Bolsonaro têm até sábado (24) para realizar suas últimas atividades de campanha antes da votação.

A equipe do presidente pretende aproveitar esse período para ampliar a exposição do desafio feito na Band, transformando um episódio do debate em uma linha contínua de questionamento ao candidato do PL.

O objetivo é impedir que a discussão se encerre com a troca de acusações registrada no confronto de domingo. Ao insistir na divulgação dos sigilos, os petistas esperam manter a pressão sobre Flávio Bolsonaro e explorar politicamente sua decisão de não responder diretamente à cobrança.

A ofensiva também demonstra a importância atribuída pela campanha de Lula aos debates televisivos nesta fase da eleição. Mais do que os embates ocorridos diante das câmeras, os estrategistas do presidente procuram identificar episódios capazes de repercutir nos dias seguintes e influenciar a agenda da reta final.

Com a votação se aproximando, a expectativa dos aliados de Lula é que a questão dos sigilos permaneça entre os principais pontos de confronto entre as duas candidaturas até o encerramento da campanha eleitoral.

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