O expositor Fernando de Souza Coelho tratou do tema “compras públicas e inovação”. De fato, as compras públicas são uma das armas mais potentes para se alcançar inovação. Mas enfrenta problemas de monta. O principal deles é a sobreposição dos órgãos de controle, que matam qualquer veleidade de correr risco por parte do gestor. Inovação é, por definição, uma atividade de risco, já que está se falando de processos novos, inovadores.
Além disso, as agências reguladoras atuam como braços do capital financeiro, evitando qualquer ofensiva no sentido de aprimorar processos através da inovação. Nas prefeituras, as compras públicas padecem de normas reguladoras e de visão gerencial.
Com a burocratização de um lado, e o medo do risco de outro, mata-se qualquer tentativa de inovação da área pública. O problema exigirá medidas gerenciais relevantes, para definir processos que rompam com essa inércia.
Haverá a necessidade de difundir arranjos produtivos locais e formas de cooperativismo para organizar esse novo modo de produção.
E, aí, se entra no terceiro ponto relevante, a importância dos planos de desenvolvimento levarem em conta os aspectos da territorialidade, buscando a dinamização das economias locais, mas levando em conta suas condições, como explicou José Eduardo Cassiolato.
Tudo isso leva à conclusão de Carlos Gadelha. O foco das políticas de desenvolvimento deverá ser as indústrias do bem estar, atuando não apenas para atender às demandas da população, mas como um agente econômico poderoso.
Hoje em dia, a saúde é o setor que mais emprega pessoas, tendo como bandeira a universalização do atendimento médico. A partir de agora, diz Gadelha, é necessário entendê-la como uma alavanca de crescimento do país.