Toda a campanha de Lula foi planejada para tempos de paz. Seria, por motivos óbvios, desejável que assim transcorresse a campanha. Só que bolsonarismo é sinônimo de bandidagem. E não era preciso ter bola de cristal para imaginar que a extrema direita tentaria mais um golpe. A ação de André Mendonça afastando de forma ilegal e inconstitucional o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, é só mais um ataque às instituições, voltado para interferir nas eleições. Outros certamente virão. Tudo isso a menos de 30 dias do pleito
Neste momento, a timidez da reação me preocupa. Excesso de moderação agora pode ser fatal. Escrevo às 13h. O timing da manhã desta terça-feira (8) já foi perdido. Em vez de uma coletiva do Lula, ou uma ida ao STF para encontrar o presidente da Corte, ou até uma postagem contundente nas redes sociais, nada, apenas a informação de que o presidente está reunido com assessores. Resultado: a mídia comercial deita e rola. A exceção à letargia partiu da PF, com toda a direção da corporação colocando seus cargos à disposição em solidariedade a Andrei.
Estamos diante de uma encruzilhada. Ou a campanha de Lula adapta o tom, o discurso, as atitudes, a tática e a estratégia à gravidade da situação, ou o risco de os fascistas voltarem ao governo da República será enorme. Aí adeus Sistema Único de Saúde, Bolsa Família, soberania nacional, controle sobre as terras raras, valorização do salário mínimo, inclusão social e democracia. Todo o patrimônio público será vendido na bacia das almas, incluindo as cerejas do bolo, como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica.
Pensei em algumas ações e inflexões sintonizadas com a guerra total que a extrema direita, com o apoio de grande parte da mídia, transformou essa eleição:
1- Nas redes sociais da campanha de Lula e nos seus programas eleitorais de rádio e TV, bem como na fala dos candidatos do PT e aliados a cargos eletivos, é preciso deixar claro que André Mendonça trai sua condição de ministro do STF, pois age como um fanático militante da extrema direita que usa a toga para beneficiar seu candidato Flávio Bolsonaro e apoiar teses obscurantistas.
2 – Marcar para os próximos dias grandes manifestações da campanha em todo o país em defesa da lisura das eleições e em repúdio a todas as manipulações de André Mendonça, que protege Flávio Bolsonaro e acelera investigações contra apoiadores e pessoas próximas de Lula. “Não vamos aceitar o golpe de Mendonça” pode ser o mote das manifestações, que podem e devem ser turbinadas por chamadas feitas pelo grande número de artistas de prestígio que apoiam Lula.
3 – Li nas redes uma ótima sugestão feita pelo bravo jornalista Cidoli do Barão de Itararé, que é reunir deputados e senadores do campo democrático e marchar até o STF para se encontrar com o presidente Fachin e entregar-lhe uma manifesto contra o jogo sujo e o golpe.
4 – A campanha deve desnudar a parcialidade descarada da imprensa, que de tudo tem feito para desgastar a candidatura de Lula. Isso não significa atacar a liberdade de imprensa. Ao contrário, ninguém está imune a críticas no estado democrático de direito. Globo, Folha, Estadão e Veja, que são engrenagens da força-tarefa contra Lula, aplaudem todas as barbaridades cometidas por Mendonça e, de forma leviana e calhorda, teimam em querer vincular Lula a Vorcaro, quando sabem perfeitamente que se há nessa história toda um personagem sem nenhuma relação com o banqueiro picareta é Lula. Também toda a onda de denúncias infundadas contra Fabio Luis das Silva só ganhou tração devido aos espaços generosos ofertados pela imprensa.
Respostas de 6
Perfeita reflexão. A reação tem que ser agora. Estamos vendo a continuação do golpe, agora com o Supremo e tudo. Tristes dias,
Perfeito !
Hora do confronto . O momento requer posições firmes, determinadas e, sobretudo CORAJOSAS .
Sair em defesa do STF , dos poderes constituídos e, principalmente, da autonomia do Governo Democrático constituído .
De acordo com as propostas .Só agregaria o Lula e Alcolumbre convencerem o Alexandre a dar explicações – esvaziaria o golpe
Acho que temos quieto demonstrar indignação ativa e não passiva. Muita ingenuidade valermos de flores contra quem se vale de todo tipo de jogo sujo
Fachin já determinou que o caso vá ao plenário.
O problema da esquerda é ser muito republicana. Não se pode ser ético com quem não é ético.