Em diversas eleições presidenciais anteriores, nas quais as diferenças em favor de Lula e Dilma eram bem mais folgadas, não foi possível liquidar a fatura no primeiro turno. E no pleito atual não deverá ser diferente. É que desgraçadamente neste país a direita e a extrema direita têm expressivo capital político e social, quadro que se agravou com o bolsonarismo.
Esse é o tipo de artigo que a gente escreve torcendo, e muito, para estar enganado e ser atropelado pelos fatos, com Lula derrotando o candidato miliciano/fascista no primeiro turno. Quem dera! Só que no Brasil candidato de esquerda para chegar ao poder tem que enfrentar toda sorte de obstáculo, como meios de comunicação, forças armadas, polícias, milícias e fundamentalismo religioso, além do baixo nível de informação e consciência política de largas parcelas da população.
Se é verdade que de semana passada para cá os ventos voltaram a soprar em favor de Lula, depois do reajuste do Bolsa Família, as canetas emagrecedoras no SUS, o fim das bets a a polêmica envolvendo o desrespeito à Nossa Senhora Aparecida por parte de evangélicos bolsonaristas, também não se pode negar a resiliência do eleitor de Flávio Bolsonaro. Não fosse o bizarro grau de estupidez da malta que segue o clã Bolsonaro, digno de quem sofre lavagem cerebral, Lula já estaria eleito com pelo menos 70% dos votos.
A impressão que dá é que se o filho de Bolsonaro virasse um serial killer de crianças nem assim sofreria queda significativa nas pesquisas. Repare que ele, mesmo diante de tantas acusações escabrosas, oscila negativamente muito pouco nas pesquisas. Aliás, caso o ódio destilado pelos extremistas de direita não tivesse contaminado quase a metade da nossa sociedade não seria nem concebível uma disputa entre um estadista mundial e um bandido.
Circulam algumas teses segundo as quais a eleição pode ser resolvida no primeiro turno. Permita-me discordar delas:
- Lula tem maioria consolidada na votação espontânea. Com isso, o presidente atinge cerca de 48% do universo de votos válidos, a partir de sua posição na sondagem espontânea, ou seja, perto de vencer no primeiro turno. Mas que novidade é essa? O parâmetro principal de todas as pesquisas sempre foi a votação estimulada. Os levantamentos que ao longo da história mais se aproximaram do resultado real do dia eleição tiveram como base a escolha estimulada. Pontuar bem na espontânea indica, isto sim, nível de fidelização do eleitor e posição confortável para disputar o voto dos indecisos.
- Os nanicos vão desidratar e os dois candidatos favoritos herdarão seus votos. Menos. Perderão de fato eleitores no afunilamento da polarização, mas não a ponto de evitar a realização do segundo turno. Nada indica, por exemplo, que o eleitorado de Ronaldo Caiado em Goiás vá abandoná-lo completamente. Renan Santos faz um discurso de campanha francamente hostil também a Flávio Bolsonaro e não é razoável imaginar que seus adeptos migrarão em peso para o filho do golpista ainda na primeira volta. Já Augusto Cury gostou de posar como terceira via por algumas poucas semanas e tentará manter seus votos até o fim. Zema é o único que pode esfarelar de vez.
Sobre os últimos dias de campanha antes do primeiro turno, Lula acertou em em cheio ao se negar a comparecer à armadilha do debate da Globo, onde teria todos contra ele, e mais a Globo, em um jogo sujo, feito sob medida para desgastá-lo. Sem falar que pelo aspecto moral a Globo não merece a presença do presidente da República em seu debate. Já a decisão de Flávio Bolsonaro de comparecer pode lhe custar caro, já que, com ausência de Lula, passa a ser o alvo dos demais.
O importante para a candidatura de Lula é chegar na frente no primeiro turno, com a margem menos apertada possível, o que pavimentaria o caminho para a vitória no segundo turno, que virá.
Uma resposta
Bora Lula …!