A imprensa quer eleger Flávio Bolsonaro

Cemitério de Tarumã - Manaus - Durante a pandemia - Reprodução Youtube

Vamos ser claros.

Há dois projetos de país em curso: um democrático e outro capaz de destruir qualquer veleidade de construção de uma Nação minimamente civilizada.

Uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro criaria o seguinte cenário:

– Subordinação total aos Estados Unidos, na condição de colônia.

Significaria abrir mão de qualquer propósito de industrialização, de avanço tecnológico e de políticas de inclusão. A lógica colonial é a extração de riquezas e de matérias-primas (terras raras, alimentos sem processamento, minérios) para processamento nos Estados Unidos.

Significa fechar definitivamente o mercado de trabalho para os filhos da classe média, com a extinção de postos na engenharia, na indústria e no comércio e destruir as políticas de inclusão dos filhos das classes pobres. Diplomas e cursos universitários não garantirão mais empregos de qualidade.

  • Campo aberto para o crime organizado.

O país paga até hoje o preço da eleição de Jair Bolsonaro. O mercado financeiro foi tomado pelo crime organizado, pela lavagem de dinheiro e pela sonegação. Não se trata de previsão, mas de fatos concretos. Organizações barra-pesadas assumiram o controle do Congresso. E a falta de limites chegou até o Ministro indicado por Bolsonaro para a Suprema Corte.

O papel da mídia

O segundo ponto a se analisar é o papel da mídia. Nenhum jornalista, repórter, editor, diretor ou dono de grupo de comunicação tem a menor dúvida de que a equiparação do caso Fábio Luís ao de Flávio Bolsonaro é um embuste ciclópico. Pior: se ajudar na eleição de Flávio, se perpetuará através dos tempos, não poupando diretores de redação, colunistas e editores que se lambuzaram com essa tese.

A hecatombe, de ume eventual eleição de Flávio, será atribuída não apenas aos que sujarem as canetas e teclados com essa manobra, mas àqueles que, antes disso, ajudaram a alimentar o ovo da serpente, da Operação Lava Jato.

Alguns se safarão indo estudar ou buscar empregos melhor qualificados no exterior. Mas a grande maioria pagará a conta dessa enorme irresponsabilidade de burlar a opinião pública em favor de um miliciano.

Há muitos defeitos a se apontar em Lula, embora grande parte de sua inação se deva à falta de condições políticas, num modelo destroçado pela Lava Jato e pelas redes sociais. Mas ele representa o campo democrático — assim como Fernando Henrique representava, bem como Mário Covas, Franco Montoro, Ulysses Guimarães e Tancredo Neves.

Estamos prestes a ingressar na mais decisiva luta política da história, aquela que marcará o destino do país, como nação autônoma ou como uma possessão dos Estados Unidos, um Porto Rico com mais riquezas minerais.

O mundo atravessa uma mudança estrutural e colocou o Brasil em uma encruzilhada definitiva: a democracia ou a barbárie.

Algumas vezes penso que é hora de parar, de largar a luta, preparar o livro de memórias, aproveitar os anos que me restam.

Aí, me lembro da música de Celso Viáfora, e, a exemplo de Charles Laughton em “Testemunha de acusação”, ligo o computador e volto à luta.

Pra ir
Bati com os olhos no luar
E a lua foi bater no mar
0E eu fui que fui ficando…:”

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