1) Cada dia fica mais claro o conluio entre o ministro do STF, André Mendonça, indicado por Bolsonaro, e setores lavajatistas da Polícia Federal para prejudicar a candidatura de Lula e ajudar Flávio Bolsonaro. Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é o alvo escolhido. Primeiro tentaram incriminar o filho do presidente com o esquema de descontos ilegais de aposentados e pensionistas do INSS. Chegaram a quebrar o sigilo bancário de Lulinha, mas não encontraram nada. Não satisfeitos, passaram a procurar pelo em ovo e inventaram, sem quaisquer indícios concretos, duas investigações por “tráfico de influência” em 48 horas. Para se ter um ideia do vale tudo para atingir Lula, vamos lembrar que Lulinha, em passado recente, já foi acusado de ser dono da Friboi e de possuir Ferrari banhada a ouro.
2) O jornalismo de guerra contra Lula está de volta. Reeditando passagens nefastas da história do país, como o golpe contra a presidenta Dilma e a prisão ilegal de Lula, esta semana os jornalões Globo, Folha e Estadão estamparam manchetes rigorosamente idênticas sobre o indiciamento de Lulinha. Pelo conteúdo dos editoriais e dos comentários de seus analistas, percebe-se que a mídia comercial não perdeu a esperança de viabilizar uma terceira via, substituindo Flávio Bolsonaro por Ronaldo Caiado. O golpismo escrachado da família Bolsonaro e os rumores de que novos escândalos envolvendo o candidato do PL são questão de tempo alimentam o sonho da Faria Lima e de seus porta-vozes na mídia corporativa.
3) O militante bolsonarista Nunes Marques à frente do Tribunal Superior Eleitoral se constitui em séria ameaça à lisura do pleito. Vale destacar que o vice-presidente do TSE é ninguém menos do que André Mendonça, o que aumenta a preocupação. Nunes Marques já disse a que veio censurando pesquisa que apontou queda de Flávio Bolsonaro e se manifestando fora dos autos em favor do vídeo de Bolsonaro, feito por IA, exibido na convenção do PL que oficializou a candidatura do filho de Bolsonaro à presidência da República. Se é verdade que o pleno do tribunal pode frear a parcialidade de Nunes Marques, também é preciso se ter em conta a influência do presidente da justiça eleitoral na definição da pauta, além de suas decisões monocráticas que até serem derrubadas pelos outros ministros podem trazer prejuízos à candidatura de Lula.
4) O presidente dos Estados Unidos é um delinquente internacional, capaz de invadir um país soberano como a Venezuela e sequestrar seu presidente. Imagina o que Trump planeja para interferir na eleição do Brasil, país mais importante da América Latina? A tentativa – barrada pelo governo brasileiro – de enviar dois funcionários do Departamento de Justiça dos EUA, para dar passos concretos no sentido da descredibilização das nossas urnas eletrônicas foi só o começo do ataque. Renato Rovai, jornalista conhecido por sua seriedade e competência, denunciou na Fórum uma articulação escabrosa do governo Trump para extrair uma delação falsa contra Lula de um meliante preso nos EUA. Melhor não duvidar de que Trump seja capaz dos crimes mais repugnantes.
5) Falando para diplomatas recentemente, Flávio Bolsonaro imitou seu pai e investiu contra o sistema eleitoral brasileiro. Não se tratou, porém, de uma mera repetição do discurso golpista contra as urnas eletrônicas, que aliás levou Bolsonaro à sua primeira inelegibilidade. A grande diferença é que em 2022 o presidente norte-americano era Joe Biden, que imediatamente reconheceu a vitória de Lula. O discurso atual do Bolsonarinho levanta a forte suspeita de que se trata de uma estratégia combinada com Trump visando o não reconhecimento da provável vitória de Lula em outubro.
Moral da história: o desafio de Lula, do PT e de todas as forças progressistas é, para além da óbvia disputa pelo voto, fazer da campanha eleitoral um momento privilegiado de mobilização social em defesa da soberania nacional e do respeito à legislação eleitoral, bem como de denúncia permanente dos crimes tramados por Trump e seus aliados brasileiros.