Durante algum tempo, o ministro Luiz Edson Fachin foi uma caixa de surpresas. Depois, tornou-se previsível.
Antes de ser efetivamente indicado ao Supremo Tribunal Federal, Fachin esteve por seis vezes na condição de “quase indicado”. Seu nome circulava havia anos entre os cotados para uma vaga na Corte.
Nessa caminhada, transitou entre campos opostos. Em um evento na PUC-SP em defesa do mandato de Dilma Rousseff, surpreendeu ao insistir com os organizadores para que lhe permitissem discursar no palco.
Na outra ponta, construiu sua campanha pela indicação visitando parlamentares em seus estados, conduzido pelos irmãos da JBS. Era uma aliança curiosa, já que, até então, Fachin se destacara pela defesa de lideranças camponesas.
A caixa de surpresas continuou aberta logo após sua posse. Procurado por uma advogada conterrânea a respeito de um habeas corpus em favor de uma liderança camponesa ameaçada de morte no Centro-Oeste, recusou-se a prestar qualquer apoio.
Nos anos seguintes, acompanharia os votos mais implacáveis da Lava Jato, respondendo ao apito de cachorro da mídia. No julgamento que admitiu a prisão após condenação em segunda instância — e abriu caminho para retirar Lula das eleições de 2018 —, Fachin foi apontado como ghostwriter do voto de Rosa Weber, decisivo para formar a maioria.
Curiosamente, algum tempo depois, um episódio estritamente semelhante — Joesley Batista combinando uma quantia com Aécio Neves, supostamente para sua defesa perante a Lava Jato — resultou na prisão de Andréa Neves e no afastamento de Aécio do Senado.
Quando a atoarda da Lava Jato cessou, Fachin tornou-se autor da decisão que mais contribuiu para seu desmonte jurídico: a anulação das condenações de Lula, que devolveu ao petista a elegibilidade para disputar as eleições de 2022.
Seus próximos movimentos dependerão, em boa medida, do comportamento da mídia. Se ela continuar dando sustentação aos abusos de André Mendonça, Fachin tenderá a ceder. Se pressionar por um realinhamento no Caso Master, ele poderá acompanhar essa direção.
Mas, na primeira oportunidade — especialmente quando começar a arder a fogueira do Dark Horse —, não há dúvida de que Fachin postergará, tanto quanto possível, qualquer decisão destinada a esclarecer a trama.