Agora começa a ficar mais claro por que André Mendonça afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o chefe de Inteligência da corporação, Leandro Almada.
Karina Gama, que aparece no centro dessa história, saiu de uma pequena empresa instalada em uma casa modesta na zona norte de São Paulo para passar a movimentar contratos milionários. Só na Prefeitura de São Paulo, haveria contratos de mais de R$ 100 milhões relacionados à instalação de wi-fi.
Depois veio o filme sobre Bolsonaro bancado por Daniel Vorcaro, também envolvendo valores na casa dos 100 milhões.
E não para por aí. Aparecem ainda nessa história recursos enviados aos Estados Unidos, empresas offshore e um instituto que, de repente, passou a atuar em áreas bastante diversas — de instalação de wifi a cursos de maquiagem.
É uma quantidade de pontas soltas que precisa ser investigada.
Fabio Wajngarten deu uma pista importante num tweet sobre Karina, chegou a dizer que ela não estaria sozinha e que, se fosse necessário abandonaria o barco, isso seria feito conjuntamente. Ora, isso é praticamente um aviso de que há muito mais gente preocupada com o que pode aparecer.
O afastamento de Andrei Rodrigues precisa ser lido dentro desse contexto.
Se havia uma investigação da Polícia Federal sobre o Dark Horse em andamento e ela poderia atingir interesses políticos importantes, a retirada do comando da PF e da área de inteligência ganha outro significado.
Não estou dizendo que todas as conexões já estejam comprovadas. Estou dizendo que elas precisam ser investigadas e que, diante do que já apareceu, não dá para tratar o episódio como uma simples disputa institucional.
O que está acontecendo é uma crise política de grandes proporções dentro do bolsonarismo. Já tem rato pulando do barco. E o número só tende a aumentar.