Não dá para enfrentar míssil com estilingue

Dias atrás recebi a seguinte mensagem de um amigo: “Não sei bem qual é a nossa tática nesta guerra, mas os caras estão vindo com jatos, mísseis e bomba atômica e nós estamos armados com estilingues. Acho que não teremos muitas chances assim.”

Essa preocupação merece uma reflexão.

Abre parênteses: a campanha de Lula não deve descer ao nível de esgoto da extrema direita, transformando a disputa eleitoral em um festival de insultos e baixarias de todo tipo, em vez de um momento privilegiado para a confrontação de projetos e politização da sociedade. Fecha parênteses.

Mas tudo tem limite.

A história mostra que deixar ataques calhordas sem resposta não é o melhor caminho. O dito popular “quem cala consente” é muito presente no imaginário das pessoas. O golpe que apeou Dilma Rousseff do poder foi precedido por uma onda de ofensas, calúnias e difamações contra a presidenta, sua gestão e seu partido poucas vezes vista na história do país.

E, na grande maioria das vezes, sem resposta à altura. Deu no que deu.

Voltando aos dias que correm, se a reação diplomática do Brasil às seguidas agressões do moleque que preside a Argentina foi no tom adequado, chamando de volta o embaixador brasileiro no país vizinho – o que na diplomacia significa rebaixar a relação -, foi um erro político Lula ser chamado de ladrão e corrupto por Milei e não responder.

Por óbvio, não seria aconselhável contra-atacar com as mesmas armas sujas usadas por Milei, mas uma resposta dura, enérgica, no bom português, um chute na canela bem dado, seria importante.

Mas prevaleceu o silêncio, sob o questionável argumento de não dar palanque a Milei.

Alvo em todas as eleições presidenciais de 2010 para cá, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, teve três inquéritos abertos pela banda lavajatista da Polícia Federal em menos de um semana. Todos com ausência de elementos concretos, apenas movidos pela vaga acusação de tráfico de influência.

Ai a pergunta que não quer calar é a seguinte: as cobranças por parte das lideranças da esquerda e de membros graduados do governo para que avancem na PF as várias investigações envolvendo Flávio Bolsonaro foram ou não tímidas e pontuais, deixando a desejar?

Campanha é timing e reação rápida. O empréstimo que o ex-chefe de gabinete de Lula pediu a uma lobista dominou de forma soberana o noticiário durante pelo menos dois dias. Bastou, porém, Lula participar de um podcast  (falando inclusive sobre outros assuntos) para o caso Marcola perder força na mídia.

Vale destacar que são absolutamente compreensíveis as limitações impostas por razões de governo e de Estado.

Modestamente, apenas quero lembrar que estamos em guerra.

 

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