Para reduzir a angústia com as pesquisas

Mesmo na mídia progressista é comum a repercussão exagerada dos resultados de pesquisas eleitorais sem levar em conta suas metodologias, financiadores e a que interesses políticos servem.

Mais imprudente ainda é tomar como base sólida para a análise da conjuntura política e econômica do país os números aferidos por alguns institutos de confiabilidade duvidosa.

Claro que não é razoável considerar as sondagens eleitorais que apresentam resultados positivos para o campo progressista e rejeitar as ruins.

Mas é importante contextualizar as coisas.

Qual a metodologia dessas pesquisas? É presencial, feita por telefone ou pela internet? Qual o universo da amostra? Quando foram feitas as entrevistas? Esses levantamentos são encomendados por quem? Quem são seus financiadores?

Sem falar que existem até institutos conhecidos por venderem seus resultados.

Nesta terça-feira (13), foram divulgadas três pesquisas de intenção de voto para presidente da República:

  1. PoderData/Aya – O Poder360, responsável pela pesquisa junto com a plataforma digital Aya, é um site de direita, que faz pesquisas por telefone, o que reduz seu nível de confiabilidade e prejudica candidatos de grande alcance popular como Lula. Por isso, o avanço de Lula, diminuindo sua diferença para Flávio Bolsonaro de seis para dois pontos nos votos válidos ( 51% a 49%), com a curva de Lula para cima e a de Bolsonaro para baixo, merece ser visto com atenção.
  2. Nexus/BTG – Também usa a metodologia da consulta telefônica. Bancada pelo banco BTG, um dos próceres da Faria Lima, foi a pesquisa que ao longo de todo o primeiro turno mais rebaixou os índices de Lula, mesmo quando o presidente liderava com alguma folga. Na pesquisa de hoje, fez um malabarismo aritmético curioso: nos votos totais, apontou, 48% a 46% para Flávio Bolsonaro, mas nos válidos 52% a 48% para o Rachadinha. De onde saíram esses quatro pontos, se nos totais eram apenas dois?
  3. Gerp – Pelo seu histórico nebuloso, se consolidou com uma piada no mercado. Credibilidade zero. Recuso-me a comentar seu trabalho.

Amanhã tem a pesquisa da Quest, também financiada por um banco de investimentos, o Genial, e encomendada pela Globo.

E no momento em que no Brasil acontece um dos maiores movimentos antifascistas das últimas décadas, com multidões ocupando as ruas em defesa da candidatura de Lula e da manutenção da democracia, em uma acirradíssima disputa pelo poder, o mercado financeiro tem lado.

E é o lado do fascismo.

Só que, reconheçam ou não as pesquisas, a campanha de Lula está voando nas ruas e nas redes e marcha para a vitória.

 

Uma resposta

  1. Não podemos deixar as ruas ….
    Vestir algo vermelho (blusa, boné ….) , botar um bóton de apoio ao Lula …..

    As ruas falam e desinibem os mais acanhados que se dizem indecisos nas pesquisas ….

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