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Angela Merkel sob pressão da direita

Out 18, 2015

Por Carta Maior                                                        

 

 

Eu não votaria nela, de jeito nenhum. Mas devo reconhecer que a chanceler Angela Merkel é uma política de respeito. Tem em seu currículo a pressão inaudita feita contra a Grécia, a partir de seus mentores econômicos, para que o programa de esquerda da Syriza fosse contido e neutralizado. Mas Merkel tem uma dimensão continental - e alemã - em seus julgamentos. Não se prende mais a causas imediatas, como é o caso, por exemplo, de Seehofer, o primeiro-ministro da Baviera, que se ergue em defesa de algo que poderia parecer o fechamento das fronteiras de sua província aos imigrantes, como se a Baviera ainda vivesse antes da década de 1860, quando perdeu a guerra para a Prússia por ter apoiado a Áustria. Ou ainda de políticos do SPD, que hesitam entre correr atrás de votos conservadores e manter a fidelidade aos ideais social-democratas que um dia formar razão de ser de seu partido.
 
Angela Merkel tem estado sob uma pressão enorme, por causa de suas posições de manter a fronteira alemã aberta ao fluxo de refugiados. Dentro da CDU há uma reação enorme. A Pegida, de extrema-direita, multiplica manifestações. Na calada da noite, incendiários ateiam fogo aos abrigos dos estrangeiros, quase um por noite, ou mais.
 
Merkel vem se defendendo como pode. Da para dizer que sua posição tem tanto de pragmatismo quanto de princípio. Pragmatismo: se ela quer ter alguma pretensão a manter sua liderança europeia, a Alemanha não pode fechar suas fronteiras; e Merkel sabe que o país precisa desesperadamente de imigrantes, e de imigrantes mais jovens que a media de sua população, que venham, entre outras coisas, revitalizar as contribuições trabalhistas ou empresariais ao fisco do país. De princípio: Merkel vem de família protestante, weberiana e luterana; além disto, sabe que está dobrando o Cabo da Boa Esperança político, em direção ao seu verbete na Enciclopédia futura. Não quer deixar uma nódoa de preconceito em seu currículo que é conservador, mas não reacionário.
 
Devia servir de lição a políticos brasileiros, ex-isto ou ex-aquilo, ou ainda na ativa, que não hesitam em, no fim de suas vidas políticas, aderir a aventuras golpistas alimentadas pelos “desesperados” das eleições de 2014, ainda incoformados com a derrota.

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