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Qual será o real efeito da última cartada de Bolsonaro?

Jul 07, 2022

Por Bepe Damasco                                                                                                       

De cara, não custa lembrar que quando Bolsonaro acabou com o Bolsa Família e colocou em seu lugar o Auxílio Brasil, aumentado seu valor para R$ 400, não foram poucos os que se apressaram em apostar na subida das intenções de voto em Bolsonaro entre os mais pobres. Hoje, as pesquisas mostram que apenas um pequeno percentual dos que recebem o benefício pretende votar em Bolsonaro.

Ah, mas a inflação corroeu rapidamente parte significativa do poder de compra desse auxílio. É verdade. Mas terá sido este o único fator responsável pela não adesão a Bolsonaro por parte das milhões de famílias que recebem o Auxilio Brasil?

O ódio devotado pelo atual presidente da República à parcela mais desassistida e necessitada da população, revelado sobejamente ao logo de seu mandato, não teria ficado evidente para esse segmento? Penso que sim.

No entanto, o escopo de “bondades” oportunistas, ilegais e velhacas da PEC do Desespero, ou PEC Kamikase, que viola a um só tempo a lei eleitoral e de responsabilidade fiscal, além de afrontar a Constituição, é bem maior.

Ele contempla não só o aumento de 50% no valor do Auxílio Brasil, que passaria de R$ 400 para R$ 600, mas também aumenta consideravelmente o valor e o número de pessoas a se beneficiarem do vale-gás. A emenda constitucional cria ainda um auxílio-caminhoneiro de R$ 1 mil, entre outros benefícios, perfazendo um total de R$ 41 bilhões, explodindo as contas públicas e jogando uma bomba de efeito retardado no colo do próximo governo.

Então, a pergunta de um milhão de dólares é: assim que chegarem na ponta, as medidas da PEC do Desespero terão o condão de melhorar a performance de Bolsonaro nas pesquisas a ponto de torná-lo mais competitivo?

Avalio que pode haver algum reflexo positivo para a candidatura à reeleição do capitão fascista, mas é pouco provável que possa causar um tsunami capaz de mudar os rumos da eleição.

Mas tudo depende do conteúdo e da dinâmica da campanha de Lula. Em sua propaganda de rádio e TV, e também nas redes sociais, a campanha tem que deixar claro o caráter picareta e de estelionato eleitoral da PEC, cuja validade expira em dezembro.

Cabe esclarecer aos eleitores que a oposição votou a favor porque não podia morder a isca lançada por Bolsonaro e pelo Centrão, votando  contra auxílios à população, o que seria certamente explorado contra Lula.

Escrevo este artigo no intervalo entre a votação da emenda no Senado, onde já foi aprovada, e na Câmara dos Deputados, na qual todos os artifícios antirregimentais vêm sendo usados para aprová-la a toque de caixa, sobre pau e pedra. Repito que é compreensível o voto a favor dos senadores de oposição pelos motivos expostos acima, mas podiam pelo menos enfrentar e denunciar a aberração da decretação do estado de emergência.

A exposição sistemática de tudo que o governo fez para piorar as condições de vida do povo, da carestia à volta ao mapa da fome, da falta de aumento real do salário mínimo ao desemprego e à precarização, da perda do poder de compra dos salários ao endividamento das famílias deve seguir como eixo principal da campanha de Lula.  

Contudo, é preciso também tocar nos  brios das pessoas, dizendo com todas as letras que por trás das “benesses” bolsonaristas está a escrachada tentativa de comprar votos.

Moral da história: o real efeito da última cartada de Bolsonaro está diretamente ligado à nossa capacidade de denunciá-la ao eleitorado.

 

 

                                                                                                     

 

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