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Silêncio e reação de Bolsonaro em 2022 endossam denúncia de hoje, relembre

Fev 20, 2025

Por Patrícia Faermann, no GGN                                                                                                              

 

Foto: Reprodução Youtube

Jair Bolsonaro ficou em silêncio por 40 dias após o resultado eleitoral, de sua derrota e de vitória do presidente Lula. Em um total de 61 dias, ele permaneceu no Palácio da Alvorada, sem dar entrevistas, contido, sem ninguém saber exatamente o que ele estava fazendo.

No dia 9 de dezembro de 2022, em sua primeira manifestação pública de derrota eleitoral, ele não reconheceu Lula como o presidente eleito. Ao contrário, falou que “tinha certeza” que entre suas “funções garantidas na Constituição” é o de “ser o chefe supremo das Forças Armadas“.

Hoje se sabe que dois dias antes daquela fala, Jair Bolsonaro se encontrava com a Alta Cúpula das Forças Armadas, os comandantes, para apresentar a minuta de golpe de Estado. Na ocasião, o comandante do Exército e o comandante da Aeronáutica não aceitaram aderir ao golpe.

Os detalhes dessa articulação estão expostos com os depoimentos dos próprios comandantes das Forças Armadas, e dezenas de documentos e arquivos que comprovam os encontros, na denúncia apresentada nesta semana contra Bolsonaro por golpe de Estado [acesse aqui]

 A cronologia: encontros com as Forças Armadas e fala pública

Quando, no dia 7 de dezembro de 2022, os comandantes general Freire Gomes e o tenente-brigadeiro Baptista Junior indicaram a Bolsonaro que o Exército e a Aeronáutica não iriam aderir a um golpe de Estado, o então mandatário respondeu que “o documento estava em estudo e depois reportaria a evolução aos Comandantes”.

As falas são dos comandantes das Forças Armadas.

As provas coletadas pelos investigadores revelaram, ainda, que na manhã do dia 9 de dezembro, Bolsonaro se reuniu com os assessores e o general Braga Netto, então candidato a vice de Bolsonaro, e, com ajustes feitos no texto dos decretos de golpe de Estado, decidiu apresentar, de novo, aos comandantes das Forças Armadas.

E, então, Bolsonaro veio à público quebrar o silêncio: “Se algo der errado é porque eu perdi a minha liderança, eu me responsabilizo pelos meus erros. Mas peço a vocês: não critiquem sem ter certeza absoluta do que está acontecendo“, disse, na ocasião.

As falas de Jair Bolsonaro naquele 9 de janeiro, apesar do tom já indicativo de não aceitar o resultado eleitoral, revelavam que o ex-presidente estava se articulando. Naquele mesmo dia, o que “estava acontecendo” era que o seu ministro da Defesa, o general Paulo Sergio Nogueira de Oliveira, entregava o plano de golpe, com ajustes, aos comandantes das Forças Armadas.

Este segundo encontro foi relatado em detalhes também pelos militares da Alta Cúpula à Polícia Federal. Momentos antes de Bolsonaro quebrar o silêncio, naquela reunião, o comandante da Aeronáutica Baptista Junior abandonava a sala, depois de questionar se aquele documento apresentado pelo ministro previa “a não assunção do cargo pelo novo presidente eleito”.

Diante da pergunta, o ministro da Defesa ficou em silêncio e indicou que sim, que o plano era para Lula não assumir a Presidência. O tenente-Brigadeiro respondeu que “a Aeronáutica não admitiria um golpe de Estado” e se retirou da sala. O general Freire Gomes, do Exército, também se recusou a receber o documento de golpe de Estado do ministro de Bolsonaro.

A reação dos comandantes incomodou Jair Bolsonaro, o que o levou a começar o seu discurso ao Brasil da seguinte maneira: “Tenho certeza que entre as minhas funções garantidas na Constituição é ser o chefe supremo das Forças Armadas. (…) Sempre disse ao longo desses quatro anos que as Forças Armadas são o último obstáculo para o socialismo.”

Naquele interpérie, Bolsonaro ainda tinha expectativas de articulações junto ao comandante do Exército, de convencê-lo a aderir ao golpe.

Na tarde de 9 de dezembro, quando apoiadores de Jair Bolsonaro ressoavam “eu autorizo”, em indicativo de autorizar um golpe de Estado, com o teor da denúncia hoje trazendo à luz o contexto que envolvia aquele mesmo dia, a resposta de Bolsonaro não foi uma negativa, mas uma resposta de que o ato não dependia apenas dele.

“Não é ‘eu autorizo’, não. É o que eu faço com a minha própria pátria. Não é jogar a responsabilidade para uma pessoa. Sou exatamente igual a cada um de vocês.”

Bolsonaro deixava claro que a adesão das Forças Armadas e da população ao golpe de Estado era também necessária.

Fala de dezembro de 2022 contradiz respostas atuais

A fala do dia 7 de dezembro de 2022, que endossa a cronologia das articulações para o plano de golpe de Estado apresentada na denúncia, esvazia os argumentos de hoje do ex-presidente.

“Não há qualquer mensagem do Presidente da República que embase a acusação”, escreveu a sua defesa, nesta quarta-feira (19).

“O Presidente jamais compactuou com qualquer movimento que visasse a desconstrução do Estado Democrático de Direito ou as instituições que o pavimentam”, completou.

A resposta dos filhos de Jair Bolsonaro também colidem com as manifestações dos mesmos à época. “Denúncia vazia”, “nenhuma prova contra Bolsonaro”, disse Flávio Bolsonaro, nesta quarta-feira (19). “Golpe da Disney”, ironizou Eduardo.

“Pai, estou contigo pro que der e vier!”, disse, de forma também dúbia, Flávio Bolsonaro, no dia 31 de dezembro de 2022.

Assim como os atores, a imprensa, neste mesmo movimento, uma reportagem da Folha de S.Paulo, nesta quinta-feira (20), publica que a denúncia de Bolsonaro é “frágil”.

No dia que Jair Bolsonaro quebrava o silêncio, o mesmo jornal explicitava que Bolsonaro estava com um “discurso dúbio”, “atiçando” apoiadores a não aceitar o resultado eleitoral.

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