
Foto: Arquivo Agência Brasil
Resumo da notícia : O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira, controladora do banco digital Will Bank, encerrando as tentativas de preservar a instituição, que estava sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) desde novembro de 2025, após o colapso do Banco Master, seu principal controlador.
A autoridade monetária justificou a decisão pelo “comprometimento da sua situação econômico-financeira” e pela incapacidade de honrar obrigações. O gatilho para a intervenção definitiva foi a interrupção de pagamentos à bandeira Mastercard, o que levou ao bloqueio da participação do banco no arranjo de cartões. Sem acesso ao sistema de liquidação de transações, o funcionamento da instituição tornou-se inviável.
Em nota assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, a autarquia afirmou que a insolvência foi agravada pelo vínculo de interesse com o Banco Master, liquidado em dezembro após enfrentar crise de liquidez e denúncias de irregularidades.
A medida também determina a indisponibilidade imediata dos bens de todos os controladores e ex-administradores da instituição. Além de Daniel Vorcaro, figuram entre os controladores da Will Financeira a Will Holding Financeira S.A., a Master Holding Financeira S.A., a 133 Investimentos e Participações Ltda., além de Armando Miguel Gallo Neto e Felipe Wallace Simonsen.
Para conduzir o processo de encerramento e apuração de dívidas, o BC nomeou Eduardo Bianchini como liquidante. Ele também responde pela liquidação do Master, o que centraliza a gestão da crise do conglomerado.
Fracasso na venda e impacto no FGC
O Will Bank, que possuía cerca de R$ 14,4 bilhões em ativos, era visto como o principal ativo do grupo e poderia ser vendido para reduzir o impacto bilionário sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Com a liquidação, essa possibilidade se encerra, e a tendência é de ampliação do custo para o fundo, que já está empenhado no pagamento de R$ 40,6 bilhões a investidores do Master, o maior ressarcimento da história do sistema financeiro nacional.
Tentativas de venda ao BRB (Banco de Brasília) e a outros interessados fracassaram diante de questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência e do avanço de investigações criminais. Antes do anúncio desta quarta-feira, a Mastercard já havia executado garantias ligadas a dívidas do banco digital, passando a deter participações em empresas como a varejista Westwing e o próprio BRB.
Investigação e responsabilização
A liquidação ocorre em paralelo ao avanço da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Na última semana, a segunda fase da investigação teve como alvo Maurício Antônio Quadrado e, novamente, Vorcaro, dono do Master. A PF apura suspeitas de criação de carteiras de crédito fictícias para inflar o patrimônio das instituições e viabilizar negociações de venda.
O Banco Central reiterou que continuará apurando responsabilidades administrativas, o que pode resultar em sanções e comunicações a outras autoridades. “O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes”, informou a autarquia.

