No momento em que o maior partido de esquerda do Brasil e da América Latina debate a renovação de sua direção, através do Processo de Eleição Direta, conhecido como PED, um tema de importância estratégica, a comunicação digital, não vem sendo tratado até agora com a prioridade que merece.
Pelo que tenho lido e ouvido sobre a disputa legítima e democrática pelo comando do PT, a grande lacuna não só do partido, mas do conjunto da esquerda e do campo popular, que é a atuação débil nas redes sociais, vem sendo relegada ao segundo plano, mesmo em um contexto no qual a extrema-direita faz da forte presença nas redes sociais seu principal instrumento de luta política.
É estranho, porque o reconhecimento de que o PT deixa a desejar nesta área está presente em praticamente todos os diagnósticos feitos por militantes e dirigentes de diferentes correntes partidárias.
A imprensa comercial, por sua vez, dá vazão ao seu antipetismo atávico, reduzindo naturais diferenças de visão entre os concorrentes a um "racha insanável", ou, de forma leviana e distorcida, a uma reles queda-de-braço entre lideranças petistas pelos vultosos recursos do partido, oriundos do fundo partidário e do fundo eleitoral. Vale registrar aqui que as cotas do PT nesses fundos são diretamente proporcionais à sua votação, conforme a legislação em vigor.
Contudo, seria capaz de apostar que a fatia do orçamento do partido destinada ao investimento nas redes sociais está aquém do que a conjuntura política exige. Uma questão intrigante: se existe um consenso de que é possível fazer mais e melhor, por que os passos essenciais para o enfrentamento do fascismo nas redes sociais são sempre postergados?
Se não falta dinheiro, quadros qualificados que conhecem a área, acesso a bons profissionais e compreensão da centralidade deste tipo de militância, quais os motivos para o emperramento da atuação digital?
Claro que existem várias iniciativas louváveis e que a comunicação virtual do partido tem registrado avanços se comparada com o passado recente, mas falta um operação de guerra, a construção de uma grande força-tarefa, com capilaridade e conteúdo político unificado.
Se é verdade que a comunicação do governo é problemática, também é fato que parte considerável das cobranças feitas à Secom são, na verdade, atribuições do partido.
Torço ainda para que o PED seja finalmente o momento da virada. Não há tempo a perder.