
O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi preso na madrugada desta sexta-feira (26), no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, no Paraguai, após romper a tornozeleira eletrônica, fugir do Brasil sem autorização judicial e tentar deixar a América do Sul com documento falso.
Condenado a 24 anos e seis meses de prisão em regime fechado por participação na trama golpista para manter Jair Bolsonaro (PL) no poder, Silvinei foi interceptado quando tentava embarcar para El Salvador, com escala no Panamá, usando um passaporte paraguaio original que não correspondia à sua identidade real.
A prisão foi resultado de uma operação de cooperação entre a Polícia Federal brasileira e as autoridades paraguaias, acionadas assim que o sistema de monitoramento eletrônico do ex-diretor foi violado em Santa Catarina, onde ele cumpria medidas cautelares.
“Silvinei estava em Santa Catarina com a tornozeleira eletrônica. Rompeu a tornozeleira eletrônica. Assim que ele rompeu, as autoridades brasileiras avisaram os países vizinhos – Colômbia, Paraguai, Argentina. Quando tentou tentar pegar o voo para El Salvador com documento falso, a turma do Paraguai acionou o Brasil”, explicou, segundo a TV Globo.
Fuga planejada
As investigações apontam que, após romper a tornozeleira, Silvinei cruzou a fronteira terrestre em direção ao Paraguai. Ao chegar ao aeroporto de Assunção, a inconsistência nos dados do passaporte levou à sua detenção imediata por uso de documento falso, crime que agora também passa a integrar sua ficha penal.
Até o fechamento desta reportagem, Silvinei permanecia sob custódia do Ministério Público do Paraguai. A expectativa é de que ele passe por audiência de custódia ainda nesta sexta-feira e, em seguida, seja reconduzido ao sistema prisional brasileiro.
Condenação por tentativa de golpe de Estado
A tentativa de fuga ocorre menos de duas semanas após o Supremo Tribunal Federal (STF) concluir, em 16 de dezembro, o julgamento que o condenou por integrar uma organização criminosa dedicada a sabotar o processo democrático.
De acordo com o acórdão do STF, Silvinei fazia parte do chamado “núcleo 2”, responsável pelas ações operacionais da estrutura golpista. A Corte reconheceu que ele instrumentalizou a PRF no segundo turno das eleições de 2022, promovendo blitzes ilegais, concentradas no Nordeste, com o objetivo deliberado de dificultar o deslocamento de eleitores do presidente eleito naquele pleito, Lula (PT).
Histórico de improbidade
Além da condenação criminal, Silvinei já havia sido responsabilizado na esfera cível. O TRF da 2ª Região o condenou por improbidade administrativa ao comprovar o uso político da PRF durante a campanha de 2022, caracterizando uma “confusão intencional” entre o cargo público e sua militância política.
Entre as provas estão postagens em redes sociais com símbolos oficiais da corporação para pedir votos para Bolsonaro e a distribuição de brindes institucionais a aliados políticos às vésperas da eleição. Por esses atos, ele foi condenado a pagar multa superior a R$ 540 mil e teve seus direitos políticos suspensos.
Silvinei ingressou na PRF em 1995 e comandou a instituição entre 2021 e 2022. Após a derrota de Bolsonaro, aposentou-se voluntariamente.
Em dezembro de 2025, no mesmo dia da conclusão de seu julgamento no STF, pediu exoneração do cargo de secretário que ocupava na prefeitura de São José (SC), movimento que agora se revela como o início dos preparativos para a fuga.

