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Errar é humano. Persistir no erro é burrice.
O “Mensalão” e a Lava Jato deveriam ter servido de alerta para os governos democráticos sobre os riscos de não tratar adequadamente as instituições estratégicas do Estado. Não se trata de nomear apaniguados, mas de escolher pessoas genuinamente comprometidas com a democracia e com os preceitos constitucionais e com pulso para colocar a lei acima dos interesses corporativos.
As indicações para o Supremo Tribunal Federal, para a Procuradoria-Geral da República e para a própria Polícia Federal sempre revelaram o estrondoso amadorismo do PT em compreender o funcionamento das estruturas de Estado. A nomeação do delegado Andrei Rodrigues para chefiar a PF repete esse erro — é a reiteração da burrice política, do não aprendizado institucional.
Os vazamentos da PF têm intenção política clara: atingir o governo, em aparente conluio com o ministro André Mendonça. Como explicar, de outra forma, o pedido e a autorização de quebra de sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva com base em ilações vagas?
Em evento da Febraban, Andrei afirmou que a PF “tem sido vítima de ataques covardes e inaceitáveis à nossa instituição” — referindo-se às acusações de que a corporação vaza informações com motivação política. No mesmo dia, o Estadão publicava exatamente esse tipo de vazamento, diretamente atribuído à PF.
No dia seguinte, nova reportagem expunha Roberta Luchsinger com base em informações originadas da própria corporação. O advogado Bruno Salles, da defesa de Luchsinger, foi categórico:
“As informações publicadas sobre as finanças de Roberta Luchsinger — relativas a transferências para uma agência de viagem — são oriundas de um Relatório de Análise Judiciária elaborado por dois agentes da Polícia Federal, que examinou os RIFs de Roberta e de sua empresa, a RL Consultoria. Trata-se de documento altamente sigiloso, vazado criminosamente, provavelmente por agentes públicos.”
A contradição é flagrante: no momento em que o diretor-geral defende publicamente a honra da instituição, a própria instituição vaza documentos sigilosos à imprensa.
Onde fica, então, a autoridade de Andrei Rodrigues? A PF foi a fonte da história dos R$ 19 milhões em movimentações na conta de Fábio Luís — sem esclarecer o que efetivamente entrou nas contas investigadas. Todas as reportagens se constroem sobre ilações. Todas as ilações provêm diretamente de fontes da PF.
Andrei não parece ser lava-jatista, nem desleal ao presidente. O problema é outro: falta-lhe pulso. Ele não conduz a corporação — é conduzido por ela.
Reitero: não sei se Fábio Luís é culpado ou inocente. Sei apenas que uma PF que se preze não vaza insinuações antes de comprovadas. E que uma imprensa que se preze não se alimenta desse jornalismo de fofoca.

