Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Informações ouvidas e lidas aqui e ali indicam que o governo está inclinado a adotar a tática de passar panos quentes e esperar a poeira baixar nessa crise com o Congresso Nacional. O silêncio do presidente Lula a respeito do assunto, que já dura quatro dias, é um forte sinal dessa decisão.
Não desprezo razões de Estado e de governo, mas penso que a aversão ao mínimo de confrontação política não seja um bom caminho. Não falo de rompimento com o Legislativo, mas de respostas à afronta à prerrogativa constitucional do Executivo por parte da grande maioria dos deputados e senadores.
A rejeição de Jorge Messias para o STF e a derrubada do veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria impõe uma reação, até por respeito à militância progressista.
Fazer cara de paisagem e fingir que nada aconteceu seria mais um erro, depois da imperícia do próprio governo que permitiu a votação da indicação de Jorge Messias para o STF sem ter a certeza da vitória.
Reconhecer a legitimidade do Congresso Nacional, que foi eleito pelo povo, não pode ofuscar a visão para uma constatação óbvia: a maior parte dos senadores e deputados exercem seus mandatos sem nenhum compromisso republicano.
Não me refiro a posicionamentos ideológicos, mas sim à desqualificação pessoal, política e moral que grassa entre Suas Excelências.
Abre parênteses: expresso a minha solidariedade e respeito aos deputados e senadores do campo da esquerda que enfrentam gente de tão baixa extração, com quem são obrigados a manter um mínimo de convivência. Não lhes invejo a sorte. Fecha parênteses.
O acordão feito na semana passada pelos integrantes do Centrão e da extrema direita bolsonarista não traz nenhuma surpresa. A convergência de interesses entre quem quer livrar a cara dos que tentaram implantar uma ditadura no país, planejando inclusive assassinar autoridades, e os envolvidos com as falcatruas do Banco Master já é uma informação que circula amplamente nos bastidores de Brasília.
E não se trata caso isolado, mas sim do modus operandi do grupo majoritário que dá as cartas na Câmara e no Senado.
Interesse do povo brasileiro? Projeto de país? Empatia com os mais pobres? Melhoria das condições de vida dos trabalhadores?
Nem pensar.
Autênticos Napoleões de hospício, se limitam a destilar ódio, espalhar fake news, ocupando a tribuna do Legislativo para degradar o debate político. Até aí não há novidades. Mas agora passaram a usar o mandato também como escudo protetor contra as ações da Polícia Federal.
Não por acaso, engavetaram a proposta de CPI do Banco Master, mesmo depois de terem conseguido o número necessário de assinaturas. É que, com as investigações da PF fungando no cangote de vários expoentes do ecossistema da direita brasileira, a opção foi varrer o assunto para debaixo do tapete.
E, vale dizer, a imprensa comercial também cumpre sua parte nesse enredo, explorando até o talo as "derrotas históricas" de Lula, quando qualquer pessoa não contaminada pelo vírus do fanatismo político ou da imbecilidade sabe que os derrotados foram o conceito de justiça, o regime democrático e o Brasil, que retrocedeu várias casas em termos institucionais.
Vamos lembrar que o melhor momento vivido pelo governo Lula 3 se deu quando a esquerda ocupou as redes e as ruas denunciando o "Congresso inimigo do povo".
Mídia comercial, Centrão e fascistas se merecem.
Para cima deles!

