PF aponta mesada e favores de Vorcaro a Ciro Nogueira; senador é alvo de operação

Mai 07, 2026

Por Ana Gabriela Sales, no GGN                                                                            

 

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

22222A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (7) a 5ª fase da Operação Compliance Zero, tendo como alvo principal o senador e presidente do Progressistas (PP), Ciro Nogueira (PI). A investigação aponta que o parlamentar teria colocado o mandato à disposição dos interesses de Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, em troca de vantagens indevidas que incluem repasses mensais em dinheiro, viagens de luxo e até o pagamento de contas de restaurante.

Por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar em Brasília e no Piauí. A operação também teve como alvo o irmão do senador, Raimundo Nogueira, além de aliados e operadores financeiros ligados a Vorcaro.

Ao todo, foram expedidos dez mandados de busca e apreensão e uma ordem de prisão temporária. Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro e apontado como operador financeiro do esquema, foi detido em Minas Gerais. A decisão ainda autorizou o bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens e ativos.

Segundo a PF, Ciro Nogueira aparece como o “destinatário central” das vantagens indevidas atribuídas a Vorcaro. Os investigadores sustentam que o senador teria “instrumentalizado o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados” do banqueiro.

Emenda pró-Master entrou no radar

O principal eixo da investigação envolve a apresentação da Emenda nº 11 à PEC 65/2023, que trata da autonomia do Banco Central.. O texto, protocolado por Ciro Nogueira em 2024, previa ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.

Para a PF, a proposta beneficiaria diretamente o modelo de negócios do Banco Master, que operava com forte captação de recursos por meio de CDBs cobertos pelo fundo garantidor.

As investigações apontam que a minuta da emenda teria sido produzida pela própria assessoria do banco e entregue ao senador em um envelope na residência dele. Segundo o relatório policial, “a proposta apresentada ao Senado reproduziu integralmente a versão encaminhada pelo banco”.

Em mensagens interceptadas, Vorcaro comemorou o avanço da proposta. “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Esta todo mundo louco”, escreveu o banqueiro.

Em outro trecho citado na investigação, Vorcaro afirmou que o texto “saiu exatamente como mandei”.

Pagamentos mensais e despesas pessoais

A Polícia Federal também descreve um fluxo contínuo de vantagens financeiras destinadas ao senador. O relatório menciona pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, Há registros de pagamentos de jantares para o senador e sua ex-mulher, hospedagens e o uso de um cartão de crédito de Vorcaro para gastos pessoais de Ciro.

Diálogos interceptados entre Vorcaro e Felipe Vorcaro reforçam a suspeita de repasses periódicos ao parlamentar.

Em uma das conversas, o banqueiro cobra o primo por atrasos nos pagamentos: “Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses ciro?”

Felipe responde: “Vou ver se dou um jeito aqui.. Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”

Outro trecho da investigação cita mensagens sobre despesas pessoais do senador e da esposa: “Só uma pergunta rápida… eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até Sábado?”, pergunta Léo Serrano, apontado como operador do grupo.

Vorcaro responde: “Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths”.

Operações societárias sob suspeita

Além dos supostos repasses mensais, a PF investiga operações empresariais consideradas incompatíveis com os valores de mercado.

Uma das transações citadas envolve a compra de 30% da Green Investimentos S.A. pela CNLF Empreendimentos, empresa ligada à família de Ciro Nogueira, por R$ 1 milhão. Segundo os investigadores, a participação estaria avaliada em cerca de R$ 13 milhões, o que indicaria um deságio artificial usado para mascarar vantagens indevidas.

A decisão assinada por André Mendonça afirma haver indícios suficientes para apurar, em tese, crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e atuação de organização criminosa.

Histórico e defesas

Ciro Nogueira, que foi ministro-chefe da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro (PL), é agora alvo de restrições que incluem a proibição de manter contato com outros investigados. Seu irmão, Raimundo Neto, deverá utilizar tornozeleira eletrônica.

Em nota, a defesa de Ciro Nogueira afirmou que “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas” e que o parlamentar permanece à disposição da Justiça para esclarecimentos.

Até o momento os advogados de Daniel Vorcaro não se manifestaram.

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