O empenho da CBF em destruir o futebol brasileiro

Jul 11, 2026

Por Bepe Damasco                                                                     

 

 

Na próxima Copa do Mundo, a ser realizada em Portugal, Espanha e Marrocos, em 2030, o Brasil completará 28 anos sem vencer o torneio, maior jejum ao longo da história do futebol brasileiro. A eliminação para a Noruega fez com que o Brasil amargasse a 11ª colocação, a pior em 92 anos.

Como sempre acontece na competição de futebol mais importante do planeta, o povo se mobilizou, se vestiu de verde e amarelo, ornamentou ruas com os símbolos da seleção canarinho, lotou bares, restaurantes e praças, recebeu os amigos em casa para o churrasco e a cerveja.

Mas a decepção acabou sendo proporcional à mobilização pela conquista do hexa.

A esperança vã pela conquista da sexta Copa pelo Brasil foi cevada pela imprensa esportiva, que, movida a interesse comercial, vendeu a ilusão de que o Brasil era um dos favoritos ao título, algo que nunca foi.

Quem acompanha minimamente o nosso futebol pôde observar, da Copa do Catar, em 2022, para cá o caos administrativo e esportivo provocado pela Confederação Brasileira de Futebol, entidade que se firmou como exemplo de corrupção, incompetência e falta de respeito pela paixão brasileira por futebol. 

O chamado ciclo para a atual Copa foi marcado pelo entra e sai de treinadores e de mudanças em série na presidência da entidade, ao sabor de denúncias, manobras e obtenção de liminares na justiça. Mesmo a classificação do Brasil nas eliminatórias da Copa só aconteceu porque no modelo atual de disputa é praticamente impossível uma seleção com tradição no futebol ficar de fora.

Aí surgiu a ideia de contratar o experiente e vitorioso técnico italiano Carlo Ancelotti. Para os cartolas da CBF, a jogada era perfeita. Um profissional consagrado internacionalmente no comando da seleção teria o condão de não só ofuscar a bagunça irresponsável levada a cabo por eles, mas também de operar o milagre de dotar o time, em cerca de um ano, de condições de disputar o título.

De fato, Ancelotti é um colecionador de títulos importantes pelos times que dirigiu na Espanha, França, Inglaterra e Itália. Contudo, quem tenta enxergar o futebol para além da superfície sabe que seu estilo reativo, ou seja, de jogar na defesa explorando contra-ataques se choca com a essência do futebol brasileiro.

Quem se espantou com a inacreditável posse de bola de 70% da Noruega contra o Brasil naturalmente não viu ou não se lembra de algumas finais de Champions League, nas quais o Real Madrid treinado por Ancelotti, mesmo recheado de craques, defendeu o tempo todo, mas acabou vencendo em lances fortuitos no fim das partidas.

Considero uma dessas finais, contra o Liverpool, um dos resultados mais injustos da história. O Liverpool massacrou, mas o goleiro belga Courtois, que joga pelo Real, fez defesas tidas como impossíveis, principalmente em conclusões de Mohamed Salah, astro do time inglês.

Os dirigentes da CBF, se entendessem apenas um pouquinho de futebol, e não estivessem apenas à procura de um escudo, veriam que Ancelotti não era o nome indicado, pois a tradição da nossa seleção e o peso da camisa pentacampeã impõem o controle da bola, o jogo ofensivo.

Se era para contratar um treinador estrangeiro, que fosse o espanhol Guardiola, apontado por muitos como o melhor técnico de todos os tempos, e que não abre mão de um estilo de jogo muito próximo do futebol brasileiro.

Mas os deslizes do italiano foram além do plano tático. Além de ter se submetido à palhaçada do megaevento de anúncio dos convocados no Museu do Amanhã, no Rio, ele se curvou à pressão da mídia e incluiu o nome de Neymar, um ex-jogador em atividade, na lista.

Escolheu ainda uma grande maioria de jogadores com passado de derrotas em Copas e perseguiu inexplicavelmente alguns jogadores. Foi o caso de Luiz Henrique, um craque que foi muito bem em todos os jogos antes da Copa, mas de repente foi esquecido por Ancelotti.

Renovar com Ancelotti até 2030, em vez de demiti-lo, é uma decisão com o padrão CBF. Lembra a célebre frase do Barão de Itararé: "De onde menos se espera é que não vem nada mesmo."

PS: Li que um avião fretado pela CBF, para trazer jogadores e comissão técnica da seleção de volta ao Brasil, tinha apenas dois jogadores. Isso dá bem uma ideia do nível de comprometimento dessa turma com a nossa gente.

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